Deus dá liberdade aos Seus filho

Na liberdade que temos, damos o exemplo e não seguimos as más inclinações deste mundo

“Jesus perguntou: ‘Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos? Pedro respondeu: ‘Dos estranhos!’ Então Jesus disse: ‘Logo os filhos são livres’” (Mateus 17, 25-26).

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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Brasil é o maior consumidor de crack do mundo.

Estudo da Unifesp mostra que País também é o segundo mercado de cocaína

Vanessa Sulina, Do R7

O Brasil é o maior mercado consumidor de crack do mundo, de acordo com o 2º Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e pelo Inpad (Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas). Para o estudo, foram entrevistadas 4.607 pessoas, a partir dos 14 anos, em 149 cidades do Brasil.

De acordo com a pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (5), cerca de 2 milhões de brasileiros já usaram crack/merla e oxi pelo menos uma vez na vida, sendo que 1,4% desse total são pessoas adultas e 1% são jovens. Ainda segundo o levantamento, um milhão de pessoas usaram este tipo de droga no último ano, sendo um em cada cem adultos.

Veja a pesquisa completa do uso do crack e cocaína no Brasil

Além do crack, a pesquisa também analisou o consumo da cocaína. Segundo a Unifesp, pouco mais de 5 milhões de pessoas já experimentaram a droga durante a vida, sendo que 4% são adultos e 2% adolescentes. Só em 2011, 2,5 milhões de pessoas usaram cocaína em pó no País.

O índice de consumo é tão alto que o Brasil só perde para os Estados Unidos no ranking mundial. Em 2011, os EUA registraram cerca de 4 milhões de usuários. Segundo o estudo, 15% da população americana usou a droga durante a vida e 2% só no ano passado.

Sem lição de casa

Para o médico psiquiatra e professor titular da Escola Paulista de Medicina da Unifesp Ronaldo Laranjeiras, os dados são alarmantes.


— Nós temos 20% do consumo mundial de cocaína. Somos o primeiro do mundo no uso de crack. Nós não fizemos a lição de casa e nosso consumo aumentou muitos nos últimos 15 anos. Não há solução fácil para isso.

Para Laranjeiras, o foco não é apenas o tratamento, e sim políticas públicas efetivas.

— Essa questão não se resolve com a canetada do governo. É preciso diminuir a oferta e desmontar a rede de tráfico. Vamos demorar muitos anos para desmontar essa operação. Além disso, precisamos cuidar dos usuários. Hoje, não há recursos para tratar 3 milhões de pessoas.

O levantamento ainda mostra que 27% dos usuários de cocaína e crack usaram a droga todos os dias ou mais de duas vezes por semana no último ano. cerca de 78% dos usuários também disseram que conseguiram a cocaína de forma fácil. 

Fonte: R7.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mulher que participou de assalto a restaurante na Tijuca contou trajetória no crime em vídeo na internet.

Ivone Fernandes de Mendonça, de 34 anos, a loura que estava na linha de frente na tentativa de assalto ao restaurante Brasa Gourmet, na esquina das ruas Mariz e Barros e Professor Gabizo, na Tijuca, já ergueu a bandeira da ONG AfroReggae, que ajuda na ressocialização de detentos em progressão de pena.

Ivone foi presa por lesão corporal, resistência e roubo, em maio de 2006, após ser baleada numa troca de tiros com policiais. Ao ingressar no regime semiaberto, três anos depois, disse ter procurado a ONG. Lá, trabalhou como recepcionista do Projeto Empregabilidade por pouco mais de um ano, recebendo salário mensal de R$ 800, segundo a coordenação do AfroReggae. Em julho de 2010, foi considerada foragida ao sair para o trabalho e não voltar para o Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, onde cumpria pena.

— Ela sempre foi dedicada, prestativa, pontual. Tem uma família correta e uma filha que a ama. Fiquei chocado com a história — disse José Júnior, coordenador do AfroReggae, que também comentou o caso pelo Twitter.

Enquanto trabalhava na ONG, Ivone gravou depoimento, em vídeo, contando sua trajetória no crime. Na entrevista, postada no Youtube, disse ter participado do assalto em 2006 para bancar o vício em crack.

"Sou meio, assim, agitadinha. Poxa, uma garota bonitinha, com disposição. Era a "bucha" perfeita, né?" — disse no vídeo, com sotaque do Sul do país.

Apesar de ter nascido em Tubarão, Santa Catarina, ela também era conhecida como Russa. Ou Gaúcha, já que foi criada numa família de classe média em Viamão, município da região metropolitana de Porto Alegre. Fã de rock, disse ter saído do Rio Grande do Sul para ver os Rolling Stones, no Rio, há 8 anos. Em vez de ir ao show, se envolveu "com o pessoal de uma favela" e com o crime.

A relação com a filha adolescente, hoje com 17 anos, parecia ser a sua maior preocupação. Desde que Ivone veio para o Rio, a garota foi criada pela avó.

" Ela quer saber por que eu cometi esse crime. São perguntas que eu mesma não sei responder", comentou em outro trecho do vídeo postado no Youtube.

Fonte: Extra.

quarta-feira, 7 de março de 2012

No Rio, 3.289 mil foram recolhidos em ação contra crack.

No mês em que as operações de recolhimento dos usuários de crack no Rio completarão um ano, os agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social levaram hoje para abrigos 56 pessoas, sendo 48 adultos e 8 adolescentes. Todos estavam na maior e mais resistente cracolândia da cidade, na Favela do Jacarezinho, na zona norte.

Desde o início das operações, no dia 31 de março de 2011, o número de usuários de crack recolhidos em toda a cidade chegou a 3.289, sendo 2.788 adultos e 501 crianças e adolescentes. Desde maio do ano passado, a Prefeitura do Rio adotou a internação compulsória e tratou 118 menores de idade, mesmo sem o consentimento dos pais.

A rotina das equipes de abordagem aos usuários da droga é perigosa. Na chegada, os agentes foram recebidos a pedradas e houve correria entre os viciados. Em janeiro deste ano, a Prefeitura do Rio anunciou o plano para ocupar permanentemente a cracolândia do Jacarezinho. Na ocasião, o secretário de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, disse que a ideia era inspirada na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) presente em algumas favelas cariocas.

Hoje, a reportagem acompanhou a chegada ao abrigo da Cidade Nova (região central) de quatro adolescentes recolhidos na operação. L., de 16 anos, era um deles. Segundo os assistentes, ele perdeu o contato com a mãe, já passou por várias internações, cumpriu pena em unidades sócio educativas e sempre volta para a cracolândia do Jacarezinho. "Minha mãe foi morar no Morro dos Macacos, em Vila Isabel (zona norte). Nunca mais vi", disse o adolescente. Há duas semanas na unidade, J., de 15 , reconheceu os benefícios do tempo no abrigo, mas está certo que vai voltar para as ruas. "Quando cheguei aqui parecia um palito. Agora, até a minha barriga cresceu, mas quero voltar. Estou aqui há muito tempo. Não fumo crack. Só maconha", justificou.

Fonte: Estado de Minas.

Consumida por pessoas de baixa renda, crack ascende na pirâmide social.

A servidora federal Edna (*) teria tudo para não esbarrar com o crack. Ela é o contraponto de uma realidade na qual as mulheres de pedra estão inseridas. Vem de família bem estruturada, fez faculdade, trabalha em órgão federal, recebe um salário que dá e sobra para se manter. Mora na Asa Norte e conhece gente importante. Aos 49 anos, é exceção nas histórias de viciadas, normalmente bem mais jovens. Mesmo com uma vida aparentemente estruturada, foi aprisionada pelo crack. Está internada há mais de 80 dias em uma comunidade terapêutica tentando se recuperar da dependência química. Ela expõe um dos aspectos mais escondidos dessa substância: o de que a pedra já acertou a classe média.

Pesquisa feita pelo UniCeub no ano passado com usuários e ex-usuários de crack no Distrito Federal mostra que Edna não se encaixa no perfil padrão dos dependentes dessa droga. Ela faz parte da minoria (12%) que tem mais de 45 anos e do número ainda menor dos que ganham acima de R$ 3 mil (2%). Além disso, a funcionária pública concluiu o ensino superior, enquanto nenhum dos entrevistados nos centros de Atenção Psicossocial, Álcool e Drogas do DF (CapsAD) havia concluído a universidade.

A reportagem completa você lê na edição impressa do Correio Braziliense desta quarta-feira (7/3).

Fonte: Correio Braziliense.

domingo, 29 de janeiro de 2012

82% concordam com ação da PM na Cracolândia em SP, diz Datafolha.

Segundo a pesquisa, 28% dos paulistanos dão nota 10 para a repressão. Outros 14% disseram discordar em parte ou totalmente

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha na quinta-feira e sexta-feira aponta que 82% dos paulistanos concorda com a repressão na Cracolândia, na região central da capital paulista. Entre os que concordam, 54% disseram concordar totalmente com as ações da Polícia Militar e 28% disseram concordar em parte. Outros 14% disseram discordar da repressão policial. Entre esses, 6% discordam totalmente e 7% discordam em parte.

Leia também: Promotoria considera 'desastrosa' ação na Cracolândia e abre inquérito

Ainda de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada neste domingo pelo jornal Folha de S.Paulo, 28% dos entrevistados deram nota 10 para a ação na Cracolândia. Apenas 4% deram nota zero. Entre as pessoas que afirmaram ter o PT como partido preferencial, 83% concordam com a operação. Entre os entrevistados que apontaram o PSDB como sigla de preferência, 90% disseram concordar, segundo a pesquisa.

Na visão da marioria dos entrevistados, os usuários de drogas são os principais responsáveis pelos problemas que envolvem o crack em São Paulo. O usuário foi apontado como principal responsável por 24% dos entrevistados. O traficante foi apontado por 22%. O governo do Estado, por 16%. O governo federal, por 14%. A prefeitura, por 6%.

Agentes militares abordam suspeitos durante operação realizada na Cracolândia, nesta sexta-feira (6) - Foto: AE

Fonte: iG Último Segundo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mãe tenta vender filho de oito meses por R$ 100 para comprar droga em AL.

Bebê foi encontrado com vizinhos e entregue ao Conselho Tutelar.
Criança foi encaminhada para abrigo por conselheiros.

Do G1, em São Paulo

O Conselho Tutelar do bairro de Tabuleiro, em Maceió, recebeu neste final de semana um bebê de oito meses que foi abandonado pela mãe, de 19 anos, após não conseguir vendê-lo por R$ 100 para comprar drogas.

Criança foi entregue ao Conselho Tutelar em Maceió (Foto: Reprodução/TV Gazeta)Criança foi entregue ao Conselho Tutelar em Maceió (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Segundo o conselho, a tia da criança afirmou que a mãe tentou vendê-lo a uma mulher, mas como não conseguiu, acabou abandonando o bebê. A criança teria ainda sido entregue a outros vizinhos até que uma moradora resolveu acionar o Conselho Tutelar.

“Entramos em contato com a família, que também não demonstrou interesse em ficar com ele. Então entregamos para um abrigo e agora aguardamos o que a Justiça vai decidir”, afirma o conselheiro tutelar Mano Monteiro, da 7ª região de Maceió. O bebê não é registrado e recebeu, temporariamente, o nome de Felipe no abrigo.

Segundo o conselheiro, apenas neste final de semana, foram quatro casos de abandono de crianças, a mais velha com apenas quatro anos de idade. “A droga está infestada. Grande parte é o crack. A droga está destruindo as famílias. Para chegar o ponto de a mãe querer vender o filho, uma coisa que a gente não quer nem acreditar”, diz. “E isso não é só aqui em Maceió. É generalizado. Essa questão da droga está destruindo, junto da fragilidade do poder público. Falta escola, falta cultura, e leva a situações como essa. Não é uma coisa isolada não.”

Fonte: G1.

domingo, 16 de outubro de 2011

Após perder maconha, rapaz pede para policial a devolução da droga.

Caso ocorreu em Pittsburgh, no estado da Pensilvânia.
'Eu pensei que você ia ser legal', disse jovem para policial.

Do G1, em São Paulo

Após perder um saquinho com maconha em Pittsburgh, no estado da Pensilvânia (EUA), o norte-americano Miles Bennett viu um policial achar a droga. Mas, em vez de ir embora, o jovem se aproximou do agente e perguntou se ele poderia lhe devolver a maconha.

Miles Bennett pediu para policial a devolução de maconha. (Foto: Reprodução)Miles Bennett pediu para policial a devolução de maconha. (Foto: Reprodução)

Bennett disse, em entrevista à emissora de TV "WPXI", que deixou cair acidentalmente a maconha do lado de fora de uma loja de conveniência na segunda-feira. Um policial acabou encontrando a droga. Bennett então se aproximou do agente e perguntou se ele poderia devolvê-la.

O jovem argumentou que havia apenas US$ 15 de maconha e era para consumo pessoal. "Eu pensei que você ia ser legal", afirmou Bennett, decepcionado com a decisão do policial Dwayne Ausbrooks, que se negou a lhe entregar a maconha.

Segundo a emissora, Bennett não foi preso porque o policial não o viu segurando a droga antes de deixá-la cair.

Fonte: G1.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

STF libera protestos a favor da legalização das drogas.

15/06/2011 - 20:33

Decisão não legaliza uso de drogas, afirmam os ministros da Corte.
Procuradoria-geral propôs ação em defesa da liberdade de expressão.

Débora Santos Do G1, em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu nesta quarta-feira (15) o direito de cidadãos realizarem manifestações pela legalização de drogas em todo o Brasil. Por unanimidade dois oito ministros que participaram do julgamento, o STF decidiu que, a partir de agora, a Justiça não poderá proibir protestos e eventos públicos, como as marchas da maconha.

A Corte julgou ação proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que defende o direito a manifestações pela descriminalização das drogas, sem que isso seja considerado apologia ao crime.

Só no último mês, as marchas foram vetadas por decisões judiciais em pelo menos nove capitais brasileiras, com base no argumento de que esses protestos fariam apologia ao uso de drogas, que é crime previsto em lei.

A decisão do Supremo teve como base o direito, garantido na Constituição, de expressar ideias e se reunir para debater sobre elas. O relator do caso, ministro Celso de Mello, defendeu a liberdade de se manifestar desde que seja pacífica e não haja estímulo à violência.
Mello defendeu chamadas marchas da maconha que, para ele, não fazem apologia às drogas, apenas promovem um debate “necessário”.

“No caso da marcha da maconha, do que se pode perceber, não há qualquer espécie de enaltecimento defesa ou justificativa do porte para consumo ou tráfico de drogas ilícitas, que são tipificados na vigente lei de drogas. Ao contrário, resta iminente a tentativa de pautar importante e necessário debate das políticas públicas e dos efeitos do proibicionismo”, argumentou.

Em seu voto, Mello lembrou, no entanto, que se manifestar em favor da legalização das drogas não quer dizer que, durante as marchas pró-maconha, seja liberado o consumo de drogas. Por mais de uma vez, ele deixou claro que o tribunal não está “legalizando o uso de drogas”.

“A proteção judicial não contempla, e nem poderia fazê-lo, a criação de um espaço público imune à fiscalização do estado. Menos ainda e propugna que (...) os manifestantes possam ocorrem em ilicitude de qualquer espécie como, por exemplo, consumir drogas. (...) O STF está apenas assegurando o exercício de duas liberdades fundamentais: o direito à reunião e à liberdade de pensamento. O Supremo não está legalizando o uso de drogas”, afirmou.
A ministra Cármen Lúcia citou a “criatividade” dos manifestantes para debater o assunto, mesmo diante das proibições. Em algumas marchas, a palavra “maconha” foi trocada por “pamonha” e os atos transformados em protestos pela liberdade de expressão.

“A liberdade é mais criativa do que qualquer algema que se possa colocar no povo. (...) Alguns avanços se fazem dessa forma, postulando algo que neste momento é tão grave e com o tempo passa a ser normal para todo mundo. Tenho profundo gosto pela praça porque a praça foi negada a nossa geração”, afirmou a ministra ao fazer referência a proibição de manifestações públicas durante o regime militar (1964-1985).
Ressalva
Ao defender o direito de protestar sobre esse assunto, o ministro Luiz Fux fez uma advertência. Para ele, crianças e adolescentes não poderiam participar de manifestações, como as marchas da maconha.

“Não é adequado que crianças e adolescente cuja autonomia é limitada sejam compelidos a participação ativa no evento. O engajamento de menores em movimentos dessa natureza, expondo deles a defesa ostensiva do consumo legalizado de entorpecentes, no meu modo de ver, interfere no processo de formação de sua autonomia”, afirmou o ministro.
Julgamento
Na primeira parte do julgamento, os ministros rejeitaram pedido feito pela Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos (Abesup) para legalizar o cultivo doméstico da planta da maconha e seu uso para fins medicinais e religiosos.

A vice-procuradora-geral da República Deborah Duprat, responsável pela ação, defendeu a importância de que o Supremo se pronuncie definitivamente sobre o assunto. Segundo ela, os as leis anteriores à Constituição de 1988 devem ser reinterpretadas de acordo seus princípios.

“A primeira grande objeção é supressão da visão positivista de que aos textos são unívocos, de que as palavras se colam às coisas de modo definitivo. O que está em debate é a liberdade de expressão como uma dimensão indissociável da dignidade da pessoa humana. Não cabe ao estado fazer juízo de valor sobre a opinião de quem quer que seja”, afirmou a vice-procuradora.

A liberdade de debater a legalização de drogas em atos públicos também foi defendida no plenário do STF pela Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos (Abesup) e pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).
O advogado da Abesup Mauro Chaiben defendeu a necessidade de discutir, por exemplo, o benefício da redução da criminalidade no caso de legalização dessas substâncias. Para ele, até a dependência causada pela maconha poderia ser reduzida se a droga fosse consumida em sua forma “pura e simples, sem a energia negativa do tráfico”.

“O modelo proibicionista criou novas drogas ainda mais danosas. A liberdade de expressão há de prevalecer justamente para proporcionar esse debate que aqui apresento”, afirmou Chaiben.

Para o advogado do IBCCRIM, Luciano Feldens, a restrição ao direito de manifestação e reunião só poderia ser admitida num estado de sítio, que não é a situação do Brasil.

“Inexistiria qualquer razão para que a liberdade de expressão fosse alçada à condição de direito se ela protegesse exclusivamente o direito a manifestações compartilhadas pela ampla maioria da sociedade”, afirmou Feldens.

Fonte: G1.

terça-feira, 14 de junho de 2011

'O segredo é articular polícias', diz Pimentel sobre combate às drogas.

14/06/2011 09:03

"As fronteiras precisam ser guarnecidas. Toda a cocaína no Brasil vem da Colômbia e um pouco do Peru", alerta o comentarista.

Se já é difícil combater o crack nas grandes cidades, imagine no interior. Nesta segunda-feira (13), a autoridade dizia que era um problema de saúde pública. Se na capital existe uma deficiência, imagine no interior, em uma cidade com 20 mil habitantes. As referências são os centros de atendimento psicossocial que o governo federal está colocando no interior. Mas não tem condição de atender a essa demanda.

O Hulk nada mais é do que o crack com cor verde. Imagine o potencial dessa droga para a cidade pequena. É mais um problema de saúde pública para o prefeito.

O que a Polícia Civil está fazendo é combater a cocaína, que é a base para o crack e o oxi, para toda a droga de São Paulo. No Rio, a polícia está investindo em ataques à cracolândia, e tem funcionado. A cada nova intervenção da polícia e da prefeitura, percebemos uma redução de número de usuários. Um exemplo é a favela do Jacarezinho, onde as polícias civil e militar trabalham juntas. O segredo é a articulação dos órgãos municipais.

De qualquer forma as fronteiras precisam ser guarnecidas. Toda a cocaína no Brasil vem da Colômbia e um pouco do Peru. A necessidade de a Polícia Federal realizar apreensões é importante. Precisamos das polícias trabalhando juntas.

Fonte: G1.

domingo, 1 de maio de 2011

Saiba a diferença entre oxi, crack e cocaína.

21/04/2011 15h01 - Atualizado em 21/04/2011 15h01

Drogas têm o mesmo princípio ativo e são usadas da mesma forma.
Diferença está no que é usado para transformar a cocaína em pedra.

Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo

O oxi é cada vez mais um problema de saúde pública no Brasil. A droga chegou ao país em meados da última década pelo Acre e pelo Amazonas, nas regiões das fronteiras com Bolívia e Colômbia. Agora, há registro de mortes no Piauí e a ameaça de que ela atinja o Sudeste. A Fundação Oswaldo Cruz já prepara um mapeamento da droga no território nacional.

A droga é derivada da planta coca, assim como a cocaína e o crack. Há diferenças, contudo, no modo de preparo. Existe uma pasta base, com o princípio da droga, e de seu refino vem a cocaína.

“A pasta base é como a rapadura e a cocaína é como o açúcar”, compara Marta Jezierski, médica psiquiátrica e diretora do Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), ligado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

O crack e o oxi são feitos a partir dos restos do refino da cocaína. As três drogas possuem, portanto, o mesmo princípio ativo e um efeito parecido, que é a aceleração do metabolismo, ou seja, do funcionamento do corpo como um todo.

Quando menor a duração do efeito, mais viciante é uma substância"

Marta Jezierski, médica psiquiátrica

A diferença da cocaína para as outras duas está no que os especialistas chamam de “via de administração”.

Enquanto a primeira é inalada em forma de pó, as outras duas são fumadas em forma de pedra. Isso muda a forma como o corpo lida com a dose.

O pó da cocaína é absorvido pela mucosa nasal, que tem nervos aflorados, responsáveis pelo olfato. O efeito dura entre 30 e 45 minutos. No caso das outras duas drogas, a absorção acontece no pulmão, de onde ela cai na corrente sanguínea. O efeito dura cerca de 15 minutos, e por isso, é mais intenso que o da cocaína, o que aumenta o risco de que o usuário se torne um viciado.

“Quando menor a duração do efeito, mais viciante é uma substância”, afirma Jezierski.

“Se você usa uma que dá um 'barato' de 48 horas, você não precisa de outra dose tão cedo, mas se usa uma que dá um barato de 15 minutos e, em seguida, te dá depressão, vai querer outra dose”, explica a psiquiatra.

A grande diferença do oxi para o crack está na sua composição química. Para transformar o pó em pedra, o crack usa bicarbonato de sódio e amoníaco. Já o oxi, com o objetivo de baratear os custos – e atingir um número maior de usuários –, leva querosene e cal virgem.

Querosene e cal virgem são substâncias corrosivas e extremamente tóxicas. Por isso, o consumo do oxi pode levar à morte mais rápido que o crack – no qual o que é realmente nocivo é o princípio ativo da droga.

“A hipocrisia do suicídio é bem menor”, conclui Jezierski sobre o oxi, em relação ao crack.

Fonte: G1.

Saiba mais

segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval registra elevado número de acidentes e apreensões de drogas.

06/03/2011 – 17:04

Agência Brasil

BRASÍLIA - O feriado do carnaval ainda nem acabou e já registra um elevado número de acidentes de trânsito e apreensões de drogas, notas falsas e até de peixe irregular. O acidente mais grave foi registrado na BR-282, em Santa Catarina, e envolveu um ônibus e um caminhão, matando 26 pessoas na madrugada de ontem (5).

Foram registrados, somente no sábado de carnaval, 1.046 acidentes de trânsito nas principais rodovias do país, nos quais 58 pessoas morreram e 555 ficaram feridas. Nos 30.283 veículos fiscalizados, havia 75 motoristas embriagados, que foram presos porque o bafômetro registrou alto grau de teor alcoólico.

O governo de Santa Catarina decretou luto oficial até a segunda-feira de carnaval (7) devido ao acidente na BR 282. Em nota oficial, o governador do estado, Raimundo Colombo, prestou solidariedade às famílias e aos amigos das vítimas. Houve enterros coletivos hoje (6) em cidades catarinenses e do Rio Grande do Sul.

Ontem, no segundo dia do carnaval, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 75,5 quilos de maconha no Paraná, 40 notas falsas de Real e uma tonelada de filés de peixe transportados de forma ilegal. Os dados são do balanço feito no período de 0h até 23h59.

Na cidade paranaense de Quatro Pontes, policiais rodoviários apreenderam 75,5 quilos de maconha, no interior de um Fiat Palio, com placa do Paraná. Um casal foi preso e os três filhos menores encaminhados para o Conselho Tutelar de Marechal Rondon (PR).

Também no Paraná, no km 68 da BR-463, os policiais identificaram 40 notas falsas de R$ 50 durante a fiscalização de um Corsa, com placa de São Paulo. As três pessoas que estavam no carro – todos com menos de 23 anos - foram presos.

Em Teresina, no Piauí, foi apreendida uma tonelada de filés de pescado transportados sem a documentação obrigatória. A carga seguia de Fortaleza, no Ceará, para Belém, no Pará.

Fonte: Imirante.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pena alternativa em crime de tráfico faz governo bater cabeça.

17/01/2011 - 06:22

Alana Rizzo

A aplicação de pena alternativa em crime de tráfico de drogas, decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) há quatro meses, é contestada pelo governo Dilma Rousseff, apesar do apoio do secretário nacional de Políticas sobre Drogas, Pedro Abramovay. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, desautorizou o secretário, afirmou que o governo tem opinião contrária e negou que vá encaminhar projeto de lei acabando com a prisão de pequenos traficantes. O bate-cabeça dentro do governo deixa claro que, apesar de o tema ter sido exaustivamente repetido pela presidente durante as eleições, ainda não há uma proposta definida para uma política de combate às drogas. Enquanto isso, a decisão sobre a aplicação de penas alternativas fica com a Justiça.

Quatro meses depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a medida ainda é restrita às capitais e tribunais de segunda instância. Sem efeito vinculante, os ministros entenderam que caberia ao juiz a competência de examinar cada caso e, eventualmente, converter a pena. Levantamento feito pelo Correio em varas criminais de todo o país revela que o precedente aberto pelo Supremo é limitado e não abrange áreas diretamente afetadas pelo tráfico. Proximidade com o crime, desorganização no sistema de penas alternativas e desinformação são apontados como motivos para diferentes realidades.

A presidente Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral, criticou a descriminalização e defendeu ações mais repressivas no combate às drogas, uma das bandeiras de governo. Publicamente, Cardozo havia defendido o debate público sobre a descriminalização das drogas. Abramovay apoia a alteração da pena de pequenos traficantes como alternativa ao caos do sistema penitenciário e como forma de viabilizar a reinserção dos detentos na sociedade.

A Polícia Federal, responsável pelas ações de repressão às drogas, também é contrária à revisão da pena de traficantes. Defende, porém, mudanças que criem parâmetros quantitativos para que os juízes considerem tráfico de drogas. Com a polêmica, a tendência é que o governo deixe mais uma vez a decisão para o Judiciário. A edição de uma súmula vinculante chegou a ser sugerida, mas não deve ser levada adiante. Cardozo encomendou um estudo sobre a legislação e as experiências de outros países com políticas públicas sobre drogas.

Sem consenso

Coronel Sapucaia, fronteira do Brasil com o Paraguai, no Mato Grosso do Sul, ocupa a quinta posição no ran-king nacional de violência. A taxa de homicídio é de 103 a cada 100 mil habitantes. A estatística soma-se ao tráfico de drogas, roubo de cargas e de veículos, engrossando a pilha de 3,5 mil processos nas mãos do juiz Cezar de Sousa Lima. O presídio da região está à beira de um colapso, como tantos outros pelo país. Num espaço feito para 67 presos, amontoam-se 216 detentos. O magistrado, ainda assim, defende uma posição firme: não aplica pena alternativa nos casos de comércio ilegal de drogas. “O tráfico é financiador de outros crimes. O pequeno traficante ou o mula são engrenagens essenciais e cometeram um crime grave”, afirma o juiz.

Contrário ao que considera “abrandamento da lei de tráfico”, o magistrado teme o crescimento do mercado ilegal, da impunidade, e critica a medida como forma de sanar o problema das superlotações dos presídios. “O Estado tem que assumir suas responsabilidades.”

A Justiça de municípios de fronteira no Acre, Rondônia e Mato Grosso segue a mesma lógica. Os magistrados ainda reclamam da falta de estrutura para aplicação de penas alternativas nessas cidades. Varas Criminais do Paraná também entendem que a decisão do STF foi uma “excepcionalidade” e só consideram possível a pena alternativa para usuários.

Alternativa

Em Cuiabá, a 9ª Vara Criminal concedeu, desde setembro, data da decisão do STF, 24 penas alternativas em crimes de tráfico de drogas. No Juizado Especial, o número é ainda maior: 186, sendo que 174 foram encaminhados para o tratamento da dependência química nos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps). O juiz Sandro Portal, da vara criminal de Porto Alegre, também adotou o entendimento da Corte Superior. “Analiso o caso concreto, tentando estabelecer naquele processo o histórico de vida da pessoa, o tipo de envolvimento com o delito, as relações familiares e profissionais para a partir daí determinar se naquela circunstância é conveniente a substituição pela pena alternativa”, afirma.

Na capital do Rio Grande do Sul, um rapaz, preso em flagrante com drogas, recebeu como punição a limitação do fim de semana e a participação em palestras. Com endereço fixo, dois empregos e relações familiares sólidas, o jovem buscava, segundo o processo, elevar a renda com a venda de entorpecentes. A Vara de Execuções de Penas Alternativas do TJ de Pernambuco concedeu esse tipo de pena em 10 decisões, desde setembro. Na quarta-feira, foi a vez de o Tribunal de Justiça de São Paulo converter em prestação de serviço à comunidade a sentença de um rapaz condenado por tráfico de drogas. Preso com 25 porções de maconha e 15 pedras de crack, o jovem alegou uso próprio. Mas para o relator a grande quantidade de drogas em poder do rapaz caracteriza tráfico.

Fonte: Estado de Minas.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Consumo de crack atinge quase 4 mil cidades, diz CNM.

13/12/2010 – 19:07

G1

BRASÍLIA - Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (13), pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) informa que o crack é consumido em 3.871 de 3.950 municípios pesquisados pela entidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 5.565 municípios. O universo pesquisado pela confederação equivale a 71% do total de municípios brasileiros.

Nas cidades pesquisadas,a CNM ouviu os secretários de Saúde, no período de 2 a 23 de novembro. Em 98% desses municípios, segundo o levantamento, há problemas relacionados ao crack.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkosky, afirmou que há uma estimativa de que haveria 1,2 milhão de pessoas consumindo crack no Brasil.

Segundo ele, o Brasil "não tem política de enfrentamento ao crack" e o Programa Nacional de Combate ao Crack, lançado em maio deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não surtiu efeito".

"Um programa foi lançado na marcha dos prefeitos, em maio, e ele já foi extinto agora em 29 de novembro. Terminou. Um programa de R$ 482 milhões, é um gesto que o governo tomou, mas é um programa que não aconteceu, praticamente nenhum centavo chegou para o combate do uso ao crack", disse Ziulkosky.

"Falta ao país uma estratégia para o enfrentamento do crack, não há uma integração entre União, estados e municípios, isso é o que mais nos preocupa", disse o presidente da CNM. "Não houve nada de efetivo neste programa. O que eu estou dizendo é que ainda não há nada de real".

Convênios

Segundo a pesquisa, somente 134 municípios declararam ter firmado convênio com o governo federal no âmbito do Plano Nacional de Combate ao Crack. A maior parte dos pesquisados, de acordo com a CNM, não encaminhou ou não teve projeto aprovado.

Segundo a CNM, os editais para que as prefeituras pudessem se habilitar a receber recursos do programa foram lançados no início de novembro, e o prazo para a apresentação dos projetos terminou no dia 29 de novembro.

A CNM criticou também o fato de o plano de combate ao crack ser voltado apenas para cidades com mais de 20 mil habitantes. Para os municípios com menos de 20 mil habitantes, segundo a CNM, foi disponibiizada somente a possibilidade de implantação de núcleos de apoio à saúde da família.

Ainda de acordo com a pesquisa, apenas em 8,43% das cidades pesquisadas há programas municipais de combate ao crack. Em 48,15% dos municípios pesquisados, estão em andamento campanhas de combate ao crack.

Fonte: Imirante.

sábado, 11 de dezembro de 2010

RJ: maior problema está nas armas, e não nas drogas.

O problema brasileiro não são as drogas, mas armas. As UPP (Unidades de Polícia Pacificadora) mudam a rotina de comunidades, mas simbolizam um projeto bom tocado por uma polícia ruim, ineficiente e vinculada ao crime.

Além de liberar moradores do controle do tráfico, o Estado precisa dar infraestrutura e cidadania para evitar que o projeto se desgaste. O apoio da mídia não pode mascarar as deficiências da polícia, que precisa ser refundada.

Essa é a síntese do debate promovido anteontem pela Folha no Cine Glória, no Rio.

Participaram o antropólogo Luiz Eduardo Soares, o consultor de segurança, comentarista de TV e ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e o cineasta José Padilha, sob a mediação da repórter especial Claudia Antunes.

Soares e Pimentel estão entre os autores de dois volumes de "Elite da Tropa", livros que nortearam Padilha nas filmagens de "Tropa de Elite" 1 e 2.

Leia, a seguir, trechos do debate.

UPPs

As UPPs são "um excelente projeto", mas que precisa ser complementado, disse Luiz Eduardo Soares.

"O problema é a transposição de um projeto-piloto para uma política pública, para que tenha escala. Se isso se fizer, em meio à degradação policial, a UPP não prospera, não se sustenta. Para que possa prosperar, as polícias têm de ser transformadas."

O antropólogo apontou que, no Rio, a polícia e o crime são indistinguíveis. "Claro que temos policiais honestos, arriscando sua vida por salários indignos, verdadeiros heróis. Mas são obrigados a conviver com criminosos."

"Não há criminalidade organizada importante no Rio de Janeiro, inclusive o tráfico, sem a aliança, parceria, seja por omissão, cumplicidade e depois participação protagonística, das polícias."

Para Soares, a contratação de novos policiais para as UPPs é a confirmação pelo poder público de que eles não podem contar com as polícias para um projeto inovador, de respeito aos direitos humanos, de valorização da comunidade num serviço congruente com as determinações constitucionais.

José Padilha levantou o que chamou de "paradoxo".

"O projeto da UPP não é da polícia, é do governo. A polícia ficou 30 anos convivendo com o tráfico. A organização policial não fez o projeto das UPPs. O que temos aqui é o governo empurrando uma polícia ruim para fazer um projeto que é bom", afirmou.

Marcelo Freixo disse que o mapa de instalação das UPPs é revelador de seu projeto. "É o corredor hoteleiro, a zona portuária, o entorno do Maracanã e a Cidade de Deus, único lugar em Jacarepaguá [zona oeste] que não está na mão da milícia."

"Não é possível alguém dizer que é coincidência. É um projeto de cidade. É a retomada de territórios que estão em lugares estratégicos para grandes investimentos."

Freixo expôs sua preocupação a partir do exemplo de duas comunidades com UPP que visitou, o Chapéu Mangueira e a Babilônia, ambas no Leme, zona sul do Rio.

"Quem garante que daqui a dez anos esses moradores que construíram aquela comunidade, que são referências históricas e culturais, vão estar mantidos ali?"

"Ficam em um dos lugares mais valorizados do Rio, com uma das vistas mais lindas que já vi. Qual é a política pública que será desenvolvida para que eles consigam ficar ali e resistam a tudo que vai acontecer com a não permanência do varejo da droga?"

Rodrigo Pimentel exemplificou os efeitos da implantação da UPP. "Na Cidade de Deus, a UPP prende uma pessoa por dia por tráfico. Antes da UPP, eram cinco ou seis por mês para uma população de 65 mil habitantes. Agora está um ano sem homicídios. É muito mais impactante."

Refundar a polícia

Luiz Eduardo Soares declarou que o desafio é mudar a polícia. "As investigações que apontam policiais individualmente pela responsabilidade de brutalidades e por corrupção são equivocadas e injustas. Evidentemente, todo indivíduo é responsável por suas práticas."

"Estamos diante de um problema político, institucional, que tem seu padrão de funcionamento", afirmou o ex-subsecretário de Segurança do Estado do Rio.

"Você tem de contratar [no caso das UPPs] e promover toda uma qualificação específica porque não há repasse para a instituição. A instituição não é confiável, está degradada", disse Soares.

"Podemos continuar assim, só contratando policiais? Precisamos usar a polícia, valorizá-la, para que comece a responder a um processo de governança democrático. No Rio, essas mudanças significam refundação", afirmou.

A operação

Ao comentar as acusações de violência, roubo e furtos por policiais na ocupação do Complexo do Alemão, Marcelo Freixo disse que se aceita que a polícia aja no local de um modo que seria impensável em Ipanema, bairro nobre da zona sul carioca.

"A gente acha normal que a dignidade no Rio tenha CEP. A gente acha naturais coisas completamente absurdas. Coisas que seriam inadmissíveis em qualquer lugar. Como se aquela população tivesse responsabilidade pela barbárie que ela viveu mais do que ninguém."

"Quem era a principal vítima do tráfico no Alemão? Nós? Não, eles. O respeito deveria ser muito maior a eles."

Rodrigo Pimentel relatou o que sentiu quando viu as imagens de traficantes fugindo no alto do morro.

"Muita gente se perguntou por que a polícia não deu tiro em todo mundo e matou aqueles 200. Confesso que era o meu desejo. Não tenho a menor vergonha de dizer que gostaria que eles morressem. Era uma situação de beligerância, de guerra."

Drogas e armas

Luiz Eduardo Soares disse ser "absolutamente fundamental" distinguir armas e drogas. "No negócio da droga ilícita, eu sou antiproibicionista. Sou a favor da legalização das drogas."

"Se nós separarmos drogas e armas, talvez consigamos fazer o fundamental, que é salvar vidas. Porque as armas são a principal responsável por essa violência letal, todos nós sabemos. No Brasil, não há controle das armas ilegais. O nosso problema não são as drogas."

Mídia e abusos

Como comentarista de segurança da Rede Globo, Pimentel ficou 34 horas no ar em cinco dias. "Talvez eu seja um pouco responsável por essa onda otimista, mas é difícil esconder o entusiasmo."

"Quem conhece o Complexo do Alemão e sabe o quanto aquilo gera de violência sabe que a operação foi um divisor de águas", afirmou.

Pimentel contou um episódio: "Quando terminou a operação, a gente disse lá na Rede Globo: vai ter UPP no Alemão. Recebemos um contato do governo do Estado dizendo isso, mas o secretário de Segurança nos desmentiu. "Não é meu planejamento neste momento", ele disse.

"Nós insistimos porque a sociedade do Rio não admite mais uma operação policial desacompanhada de UPP. À noite, o governador disse: "Vai ter UPP no Alemão"."

Padilha aparteou Pimentel para afirmar: "Você resumiu o que está acontecendo: a Rede Globo falou que iria ter UPP no Alemão, o [secretário] Beltrame falou que não e aí o governador fez o que a Rede Globo falou para ele fazer: UPP no Alemão."

"É o "Diário Oficial" antecipado", emendou Freixo.

O cineasta retomou: "Por que tem 50 corregedores no Alemão? Porque tem 50 câmeras. Se não tivesse, não teria nenhum. Vamos ser realistas. A Globo está empurrando uma polícia ruim para fazer um programa bom."

Contrapondo-se a Pimentel, Padilha questionou: "Qual é o papel da imprensa? Mobilizar ou informar? Eu acho que a imprensa tem de informar: a UPP é boa para os moradores, melhor que o tráfico, porém a polícia está corrompida, não representa o bem", declarou.

"Que governo é esse que só fez UPP por que a Globo falou para ter? Que só colocou corregedoria depois que a Globo mostrou?"

Fonte: Folha de São Paulo.

domingo, 29 de agosto de 2010

Crack motiva um em cada quatro crimes no DF.

29/08/2010 – 08:06

Estimativa da Secretaria de Segurança Pública revela que 27% dos crimes registrados nas delegacias, no primeiro trimestre de 2010, estão associados ao tráfico, especialmente do subproduto da cocaína. Grupo voltado ao desenvolvimento de ações contra a droga se reúne a partir de terça-feira.

O comerciante André Augusto*, 31 anos, convive com o medo. Responsável por uma padaria de uma quadra do fim da Asa Norte, incorporou à rotina diária a insegurança e a angústia. Assim como ele, quase todos os vizinhos de comércio carregam pelo menos uma história de violência no último ano. A maioria delas por conta de ações de bandidos ligados ao tráfico e ao uso de drogas. “Aqui, todo mundo trabalha com medo. Fecho às 21h. Não tenho coragem de trabalhar depois desse horário. Na hora de fechar, coloco meu carro em um lugar estratégico, tranco tudo e saio logo daqui”, contou.

O crack aparece como o principal vilão para tal comportamento. O consumo das pedras traumatiza e assusta os candangos. Assaltos, ameaças e até mortes relacionados ao entorpecente de alto poder de destruição se tornaram rotina em uma capital atormentada pelo aumento da criminalidade. Estimativa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) revelou que 27% dos crimes registrados nas delegacias estão associados ao tráfico de drogas, principalmente do crack. “É preocupante”, resumiu o subsecretário de Planejamento e Capacitação da SSP-DF, coronel Washington Rodrigues Lima.

A porcentagem se refere à análise do total de ocorrências do primeiro trimestre deste ano e à tendência de piora do problema. Provocou ainda o I Simpósio sobre Métodos de Enfrentamento à Disseminação do Crack, realizado na semana passada no auditório do Ministério Público do DF. O subsecretário foi o mediador do encontro, que procurou sensibilizar a sociedade brasiliense sobre a gravidade da situação. Participaram diversas secretarias de Estado, entre elas Segurança, Saúde e Educação, ONGs e representantes da imprensa.

As discussões serviram para a criação de um grupo de trabalho voltado para o desenvolvimento de estratégias e organização de ações integradas contra o crack. Há representantes dos poderes Executivo e Judiciário locais, do Ministério Público do DF e de entidades sociais. A primeira reunião tem data marcada: terça-feira. “O uso do crack já provocou dois fenômenos na capital do país. O primeiro é a substituição da cola, da merla, da cocaína e até da maconha por essa droga. O outro é a associação dos viciados com outras modalidades criminosas para manter o vício”, explicou o coronel Lima.

Outra dificuldade relacionada ao flagelo desse subproduto da cocaína aparece nas ruas de Brasília e de cidades como Taguatinga e Ceilândia. É cada vez mais comum a cena de grupos de homens, mulheres e crianças reunidos em torno do crack. Usam latinhas de alumínio como cachimbo para inalar a fumaça produzida pela queima das pedras. “Efetivamente, a coisa está se banalizando, com o uso das pedras até durante o dia. Já se vê como uma epidemia. E temos de pensar em uma estratégia integrada de combate”, defendeu o subsecretário de Planejamento e Capacitação da SSP-DF.

O Correio flagrou o consumo na área central do Plano Piloto. Entre 16h30 e 17h30 da última quinta-feira, a equipe de reportagem acompanhou o tráfico e o uso da droga no vão entre a Rodoviária do Plano Piloto e a estação de metrô do terminal rodoviário. Enquanto jovens de mochilas negociavam as pedras no gramado logo acima do local, meninos maltrapilhos se entregavam ao vício na parte mais abaixo. Faziam o uso do entorpecente sem se importar com o vaivém das pessoas próximas aos vidros da estação. No fim da tarde de sexta-feira, um homem vestido de calça e camisa sociais fazia o mesmo.

Mudança de rotina

O aumento da relação entre drogas e criminalidade se reflete na rotina da população. Nas quadras residenciais do fim da Asa Norte e mais próximas da W3, onde se concentra o problema do crack, comerciantes e moradores criam sistemas próprios para não se tornarem vítimas de assaltos e ameaças. O gerente de padaria André Augusto baixa as portas às 21h, uma hora antes do horário habitual. Depois de sofrer dois furtos em 2009, passou a observar tudo ao redor. “Estou sempre atento a tudo. Já chego para trabalhar às 5h30 observando tudo o que posso. Esse é o meu dia a dia estressante”, afirmou.

Do outro lado da rua, outro responsável por padaria reclama da situação. O último assalto ocorreu neste ano por volta das 21h30 de um dia de semana. O dono estava no caixa e se viu diante de três bandidos armados. Não reagiu e entregou todo o dinheiro. “A gente trabalha sempre apreensivo. Vai com a cara e com a coragem”, explicou Ana Paula*, mulher da vítima. Segundo ela, a ansiedade e a insegurança aumentam a partir das 19h. “Depois disso, não se trabalha mais com calma. É a hora em que a noite cai e não se vê mais policiamento”, denunciou.

A comerciante Ana Paula acrescentou que há policiamento regular na quadra comercial — feito por duplas de policiais militares — até as 16h. A falta de proteção do governo obrigou a família a encerrar a atividade diária meia hora antes aos fins de semana. Também pensa em instalar sistema eletrônico de segurança e contratar seguranças privados. “O problema ainda aumenta no fim de semana, quando não tem polícia e fica tudo muito deserto”, disse. Lotéricas e drogarias locais também sofreram ações recentes de bandidos, a maioria associada ao tráfico e ao uso de drogas.

O medo também atinge a Asa Sul. A publicitária Janaína*, 29 anos, mudou a rotina para não ficar exposta a possíveis assaltos e sequestros relâmpagos. A moradora da 109 Sul sai mais cedo do trabalho para deixar o carro em uma vaga mais próxima à guarita do prédio. Deixa muitas vezes de sair à noite para não ficar sem um espaço para estacionar na volta para casa. “Está tudo bastante complicado por aqui. A gente ouve de casa barulho de briga e discussão. Já tomei um susto pela manhã, quando um homem veio me pedir dinheiro e estava bastante alterado”, comentou.

* Os nomes são fictícios a pedido dos entrevistados

Povo fala

Como você sente-se sabendo que a droga e, principalmente o crack, tem provocado o aumento da violência no DF?

Teodora Divina da Cunha, 47 anos, professora

“Dói muito ver seres humanos, como nós, nessa situação. Eles não têm culpa, somos os maiores culpados. Todo dia a gente vê notícia de que prenderam um traficante. Se transformassem esses bens todos que os bandidos levam em uma clínica — porque Brasília não tem, está toda desprovida —, o Brasil teria outro rumo. A rede pública não tem psiquiatra. É muito triste. Essas pessoas não têm condições de pagar R$ 250 de consulta, sem falar na fila, que é imensa”

Lucas Miranda, 18 anos, estudante

“É uma tristeza porque vejo que é uma fuga da realidade. O sistema não tem estrutura para a pessoa que está em uma situação de muita desigualdade. O governo não tem projetos sociais para tirar essas pessoas das drogas. Por que um delinquente se droga? Para desviar do frio? Para disfarçar a fome? O Estado não dá moradia, não dá as necessidades básicas. Uma pessoa que utiliza drogas para disfarçar a fome, se ela não tem dinheiro, é claro que ela vai para o crime”

Marielle de Souza Santos, 18 anos, estudante

“Quando a pessoa está viciada, ela perde a cabeça e não tem noção das coisas. Ela tem de procurar um profissional na área, porque eu acho que mexer com crack é uma doença, ela não consegue sair. A gente tem que fazer o possível para ajudar a pessoa. Eu me sinto solidária se a pessoa quer sair do crack, mas, se ela não quer sair, eu me sinto contrariada. Se a pessoa me assalta para alimentar o vício dela, eu me sinto indignada”

Jakson Silva, 19 anos, estagiário

“Eu não tenho dó, porque é uma escolha da própria pessoa. Antes de ela ficar viciada, ela tinha consciência de si própria, e, se está nesse caminho, é porque quis. Eu acho que, se ela escolheu essa decisão que a levou a essa situação, foi ela que fez isso por conta própria”

Fonte: Correio Braziliense.

sábado, 28 de agosto de 2010

Crack quadruplica homicídios causados por drogas em Belo Horizonte.

27/08/2010 - 10:43

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

A chegada do crack a Belo Horizonte, em 1995, provocou uma explosão de homicídios nos anos seguintes. Essa associação aparece na maior pesquisa já feita no país sobre a droga, coordenada pelo sociólogo Luis Flavio Sapori, professor da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica).

Até 1996, quando o crack era incipiente naquela cidade, as mortes provocadas por conflitos gerados por drogas ilícitas eram 8,3% do total. Entre 2005 e 2006, esse índice quadruplicou --33,3%, segundo o levantamento.

Apu Gomes/Folhapress

Usuários de crack em terreno na região central de São Paulo; pesquisa mostra que consumo da droga eleva criminalidade

Usuários de crack em terreno na região central de São Paulo; pesquisa mostra que consumo da droga eleva criminalidade

Os homicídios estão em queda naquela cidade, mas os motivados pelo crack não param de crescer.

O crack provoca uma letalidade maior do que as outras drogas, segundo o pesquisador, por causa do tipo de dependência que provoca --muito mais severa do que maconha ou cocaína. Como a fissura é incontrolável, o vício é seguido de um endividamento crescente.

"Esse tipo de conflito é resolvido com violência: quem não paga a droga paga com a própria vida", diz Sapori.

Um dos traficantes entrevistados na pesquisa dá uma pista um pouco mais complexa das relações entre vendedor e comprador. "O traficante não mata o usuário porque ele tá devendo. Mata porque ele é um sem-vergonha, tá devendo e foi comprar na outra boca. É nessa situação que ele mata o usuário."

A pesquisa é considerada a maior do país porque analisou 671 inquéritos de homicídios (de 1993 e 2006), ouviu 19 traficantes, 23 usuários e 84 profissionais que tratam dependentes.

A queda dos homicídios em Belo Horizonte a partir de 2004, quando aumentam ainda mais os crimes motivados por drogas, não derruba a hipótese de que crack e homicídios andam juntos, conforme Sapori. Essa queda está ligado a uma maior estabilidade do mercado, diz.

PODEROSO CHEFINHO

O comércio de crack, segundo ele, funciona de forma similar ao mercado de carros ou de geladeiras: tem uma racionalidade que busca o lucro e faz de tudo para evitar ser alvo das autoridades.

"O traficante mata menos porque não quer a polícia na sua boca. Ele percebe que a polícia ficou mais eficiente e mata menos para manter o lucro", afirma.

Uma das descobertas da pesquisa, para o sociólogo, é a forma como os pontos de venda se organizam. O crack tem componentes do crime organizado, mas seria equivocado imaginar uma estrutura do tipo máfia.

O que há, segundo os pesquisadores, é uma rede de "bocas", os pontos de venda, que são abastecidos por um chefão, chamado "patrão". "O atacadista que abastece as bocas não mexe com o varejo. As bocas são como uma mercearia. É uma rede de chefinhos", compara.

O que acontece em Belo Horizonte vale para o resto do país, segundo Sapori.

O sociólogo Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, concorda. "O crack é um acelerador da criminalidade porque desorganiza ao mesmo tempo o tráfico e a polícia."

O sociólogo José Luiz Ratton, da Universidade Federal de Pernambuco, diz não ter dúvidas de que crack gera violência, mas acha que há uma simplificação na conclusão do estudo. Rio e Recife, para ele, passam por uma explosão do crack, mas os homicídios estão em queda.

"Há ondas de homicídio que não coincidem com o crack", afirma.

Fonte: Folha de São Paulo.

Proerd no Maranhão forma 170 mil alunos.

28/08/2010 - 09:22

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) promoveu, nesta semana, uma série de formaturas do Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência (Proerd), com a participação de dezenas de escolas públicas da capital maranhense, totalizando três mil crianças contempladas com o projeto. Escolas de Bairros da Cidade Operária, Forquilha, Cohab, Anil, Habitacional Turu, Olho d’Água, Divinéia, Bequimão, Angelim, entre outros, participaram da iniciativa socioeducacional desenvolvida pela Polícia Militar do Maranhão (PMMA).

Em todo o estado, cerca de 170 mil alunos já se formaram no Programa, compreendendo quase 100 municípios maranhenses. “Além de promovermos um convívio mais próximo entre a escola, a família e a Polícia Militar, o programa forma uma espécie de rede de multiplicadores de segurança para que nossos jovens e crianças digam sempre não às drogas e a violência”, disse o coordenador estadual do Programa, tenente-coronel José de Ribamar Pereira Silva Filho.

“Eu aprendi a sempre ficar longe das drogas ou de qualquer inalante porque prejudica muito nossa saúde. Também aprendi a evitar a violência e os riscos e perigos que ela pode trazer para nossa vida”, afirmou Andressa Raquel Silva Azevedo, de apenas 10 anos de idade.

Andressa é estudante da 4ª série do Ensino Fundamental na escola Unidade Integrada Júlio de Mesquita, no Bairro da Cohab-Anil, Região Metropolitana de São Luís. Ela é uma das três mil crianças que participaram da capacitação e formação realizada para alunos de 4ª a 6ª séries de escolas públicas municipais e estaduais do Proerd.

A iniciativa consiste num esforço cooperativo entre a Polícia Militar do Maranhão, escolas e famílias, no objetivo comum de promover atividades educacionais em sala de aula, prevenir o uso abusivo de drogas e a prática de atos de violência entre estudantes do Ensino Fundamental. A filosofia do Proerd aborda entre outras coisas, modelos de educação afetiva e estilos de vida saudável, bem como cria condições necessárias para que crianças aprendam a lidar com suas ansiedades, resistindo às pressões da vida, além de elevar sua auto-estima e solidificar noções de cidadania.

A diretora da Unidade Integrada Mato Grosso, localizada na Forquilha, Vera Lúcia Cordeiro Nogueira, conta a repercussão positiva que os alunos levam às suas casas após conhecerem as práticas educacionais do Proerd. “Em 2008, um aluno da escola teve a oportunidade de aprender com o Proerd os malefícios que as drogas fazem para a sociedade. Ele repassou o aprendizado à mãe, usuária de droga e ficou aconselhando ela a largar. Hoje, a família se mudou, mas antes, fiquei sabendo que o aluno conseguiu que a mãe parasse de usar”, relatou. “Essa atuação social diminui de certa forma a violência nas escolas e nas famílias”, afirmou.

Histórico

O Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência, tem como base o programa norte americano de sucesso denominado D. A. R. E. (Drug Abuse Resistance Education), criado em 1983, na cidade de Los Angeles. Chegou ao Brasil em 1992 na Polícia Militar do Rio de Janeiro e está atualmente em todos os Estados da Federação.

Fonte: Governo do Maranhão.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

MJ e PF apresentam os resultados da Operação Sentinela.

25/08/2010 - 18:01

Brasília, 25/08/2010 (MJ) - O Ministro da Justiça, Luiz Paulo Teles Barreto; e o Diretor Geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, apresentam nesta quinta-feira, 26, os resultados da Operação Sentinela. A apresentação acontecerá às 15:30 horas, na Sala de Imprensa do Edifício Sede da Polícia Federal.

A Operação Sentinela foi lançada em março deste ano e é um esforço conjunto da PF, Força Nacional de Segurança Pública, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícias Civil e Militar dos estados envolvidos, além de órgãos como o IBAMA, Forças Armadas e Censipam - Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia.

O objetivo da operação é a prevenção e repressão aos crimes praticados na região de fronteira, possibilitando uma coordenação nacional integrada das ações em toda sua extensão. Dentre as ações programadas, estão previstas atividades operacionais de controle, fiscalização e inteligência policial.

Fonte: Ministério da Justiça.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A nova “Mãe de Todas as Batalhas”: a maconha contra o crack...

13/08/2010

Quando Saddam Hussein disse que iria travar a “Mãe de Todas as Batalhas” com os Estados Unidos, pensei que os absurdos tinham atingido seu apogeu, mas não, a capacidade de surpreender de certas pessoas não tem limites.... O mundo viu como ele acabou: humilhado, sujo e maltrapilho, dentro de um buraco. Dali saiu para a prisão até ser executado, cumprindo uma sentença de morte da qual ninguém pediu clemência, todos perceberam que ele tinha hora marcada com a história...

Na semana que passou, lembrei Saddam quando um grande jornal do país publicou um artigo no qual um ex-deputado federal, “especialista” em segurança pública, direitos humanos e sei lá mais o quê, escreveu um artigo comentando que a maconha pode ajudar os viciados em crack a abandonar o vício... Ele não repetiu a frase do Saddam, mas considero esta “viagem” uma segunda “Mãe de Todas as Batalhas”... Diferente da outra, sem armas nem bombardeios, ela tem a pretensão de convencer que usar maconha é solução para alguma coisa, e, pior: que ela pode ser utilizada como “arma” para enfrentar uma droga devastadora como o crack...

Ele comenta que 50 dependentes químicos do crack foram submetidos a um tratamento experimental de “redução de danos”. Que sob a coordenação de um psiquiatra, o grupo foi “tratado” com maconha e que 68% trocou o crack pela maconha... E, incrível: ao final de três anos, todos os que fizeram a troca não usavam qualquer droga (nem o crack, nem a maconha). O texto é longo, mas não posso deixar de fora a conclusão a que o articulista chegou: “É possível que a maconha seja mais uma opção alternativa às drogas pesadas e não uma droga de passagem. Independente disso, é possível que a maconha seja uma porta de saída para a dependência química por drogas pesadas. O que, se confirmado, será uma ótima notícia”.

O jornal, talvez preocupado com a indignação dos leitores, que protestaram através de e-mails, voltou ao assunto com outro tipo de abordagem. Citando especialistas, esclareceu que o tratamento de “redução de danos” que apontou a maconha como remédio para derrotar o vício em crack é considerado inválido e até mesmo irresponsável na comunidade científica brasileira. Publicou também a opinião do chefe da unidade de dependência química de um conceituado hospital do país que diz que o brasileiro começa com álcool e quem evolui para as drogas ilícitas passa primeiro pela maconha e depois para a cocaína. Diz ainda que, em 40 anos, nunca tratou um usuário de cocaína e de crack que não tivesse começado pelo álcool e pela maconha.

Mas o assunto não parou por aí, o jornal continuou com o tema mostrando que existem maneiras mais dignas de se enfrentar o crack - felizmente. Numa matéria intitulada “Combate à pedra - Van vai atender usuário de crack”, focalizou um projeto com o nome “Pintando Saúde” que usará uma van grafitada, como se fosse um consultório ambulante. Na van estará uma equipe formada por educador físico, assistente social, psicólogo, enfermeiro, terapeuta ocupacional e técnico de enfermagem. A missão deles: fazer o caminho inverso - em vez do drogado procurar o auxílio, ele será abordado sutilmente e só aceitará ajuda se quiser. “Vamos convidá-lo a mexer no computador, assistir à TV, jogar bola, vamos falar a língua dele. Só depois vamos perguntar onde mora, se quer conversar e se comeu” - explica um dos componentes da equipe.

Se a tese da distribuição de maconha fosse vencedora, não seria difícil aparecer movimentos apoiando a ideia do uso da maconha como remédio contra drogas... Certamente não faltaria alguém para dizer que aquele conhecido político tinha razão quando pediu aos bandidos de São Paulo que estuprassem, mas não matassem... Não faltariam também “especialistas” para defender a distribuição de revólveres para bandidos que desistissem de usar metralhadoras e fuzis, pois assim poderiam dar sua contribuição na extravagante tese de “redução dos danos”... Seria, para alguns, a confirmação da regra de que a diferença entre o veneno e o remédio é apenas a dose...

Felizmente, a nova “Mãe de Todas as Batalhas” não foi travada. As drogas leves não precisarão enfrentar as pesadas, num confronto onde é fácil prever quem vai vencer. Os derrotados certamente seriam encontrados sujos e humilhados, no mesmo buraco onde se escondeu o primeiro idealizador deste tipo de combate tão desigual...

e-mail vala1@uol.com.br
blog    www.valacir.com

Fonte: Federação Nacional dos Policais Federais