Deus dá liberdade aos Seus filho

Na liberdade que temos, damos o exemplo e não seguimos as más inclinações deste mundo

“Jesus perguntou: ‘Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos? Pedro respondeu: ‘Dos estranhos!’ Então Jesus disse: ‘Logo os filhos são livres’” (Mateus 17, 25-26).

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terça-feira, 6 de março de 2012

Primeira comandante de UPP, major Priscilla ganha prêmio de governo dos EUA pela coragem.

Premiação terá secretária de Estado, Hillary Clinton, e mulheres prêmio Nobel

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Major Priscilla, na comunidade Santa Marta, que ganhou prêmio pela sua coragem

A major Priscilla Azevedo, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, é uma das dez vencedoras do Prêmio Internacional Mulheres de Coragem 2012, oferecido pelo governo americano, que vai ser entregue pela secretária de Estado, Hillary Clinton, em Washington, capital dos Estados Unidos, nesta quinta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres. Priscilla foi a primeira comandante de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), modelo de polícia comunitária lançado pelo governo do Estado do Rio para tirar das favelas traficantes armados e garantir os direitos da população. A primeira unidade foi lançada em 2009 no morro Santa Marta, em Botafogo, zona sul do Rio.

A premiação terá como convidada especial a primeira-dama Michelle Obama, a embaixadora-geral para Assuntos Globais da Mulher do Governo dos EUA, Melanne Verveer, e outros dignitários americanos e estrangeiros. Entre as convidadas também estarão Leymah Gbowee e Tawakkol Karman, ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz de 2011. O evento será realizado a partir das 13h no horário de Brasília (11h, hora local) no Auditório Dean Acheson do Departamento de Estado dos EUA.

O Prêmio Internacional Mulheres de Coragem, concedido pelo Departamento de Estado, reconhece anualmente mulheres do mundo todo que demonstraram liderança e coragem excepcional na defesa dos direitos das mulheres, muitas vezes com grande risco pessoal. Desde o lançamento deste prêmio em 2007, o Departamento de Estado homenageou 46 mulheres de 34 países.

Após a cerimônia de premiação, as Mulheres de Coragem viajarão para dez cidades americanas para atividades do Programa de Visitas de Líderes Internacionais.

Fonte: R7.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Veja como favelas se transformaram em fortalezas do crime no Rio.

Política de pacificação chega às comunidades depois de décadas de domínio do tráfico.

A política de pacificação das comunidades chega ao Rio de Janeiro depois de décadas de territórios dominados por homens armados e de tentativas fracassadas de combate ao tráfico.

O tempo em que bandidos dentro de comunidade eram considerados apenas maus elementos vai longe. Em 1977, quando um locutor anunciava uma ação social na favela, a situação já tinha começado a mudar. E um dos motivos foi a chegada da cocaína. Antes cara, consumida só pelas elites, a partir da década de 1980, a droga fica mais barata e atrai o interesse dos criminosos.

“Os assaltantes do Rio de Janeiro descobriram um meio de ganhar mais dinheiro sem se arriscar tanto, porque era um comércio. Eles podiam ficar vendendo essas coisas em alguns locais, inclusive onde eles moravam”, diz a socióloga Alba Zaluar.

O problema é que muitos bandidos tiveram a mesma ideia. E, para proteger o novo negócio, começaram a se armar.

“Esse tráfico de cocaína sempre foi armado, porque a cocaína era muito valiosa”, explica Alba Zaluar.

A venda de cocaína trouxe tanto lucro que aumentou a rivalidade entre as quadrilhas e a preocupação em cada vez mais ter o domínio absoluto sobre seus territórios: as favelas.

“Isso levou a uma corrida armamentista entre quadrilhas e facções pelo controle de vários territórios de venda na cidade”, lembra o sociólogo Michel Misse.

As armas que hoje saem de esconderijos na Rocinha às dezenas foram introduzidas nos morros na década de 1980. A apreensão de apenas uma delas causava espanto.

Mas esse poder dos traficantes só foi possível com ajuda de quem justamente deveria combater o crime.

“Sem a corrupção policial, o mercado jamais teria alcançado a abrangência e o fortalecimento que alcançou”, avalia Michel Misse.

“Interessava a setores corruptos da polícia do Rio de Janeiro, a muitos policiais, que as operações em favelas fossem mantidas. Nestas operações, os policiais conseguiam roubar armas e vender para facções rivais, conseguiam roubar cocaína e maconha e também conseguiam sequestrar traficantes e negociar sua liberdade”, conta o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel.

Especialistas também apontam uma certa leniência de governos passados, em um período em que a polícia era orientada a não subir morros.

“Havia a perspectiva de que pobres, negros e favelados eram sempre os criminalizados. Portanto, eles deveriam ser, em primeiro lugar, defendidos contra uma possível repressão que seria um atentado aos direitos humanos. Essa política acabou facilitando a transformação das favelas em um santuário, o que foi péssimo para os moradores”, comenta Alba Zaluar.

A resposta a isso foi outro equívoco: operações que prendiam ou matavam traficantes. Mas bastava a polícia deixar o local para que outro grupo tomasse o poder.

“O Rio de Janeiro já teve tentativas de retomada de território de traficantes. No entanto, tudo permanecia como antes após a saída da polícia”, diz Rodrigo Pimentel.

O combate aos traficantes em permanentes confrontos armados ainda é realidade em muitos morros cariocas. Mas, com a criação das Unidades de Polícia Pacificadora, a diferença é que as Forças de Segurança estão preparadas para entrar nas comunidades e não sair mais. A UPP, formada por policiais treinados para trabalhar em favelas com respeito aos moradores, é a estratégia para impedir que o território volte às mãos dos criminosos.

“O que pode desaparecer é esse controle armado do território e a possibilidade, portanto, de o estado pela primeira vez ter a oportunidade de agregar as comunidades aos bairros e à cidade. Neste momento, as operações estão sendo muito bem sucedidas e, se todo o processo der continuidade, teremos um momento virtuoso que poderá, em um prazo médio e longo, não curto, romper com esta história de 30 anos”, avalia Michel Misse.

Fonte: G1/Jornal Nacional.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Rodrigo Pimentel: ‘Prisão de Polegar é simbólica para pacificação no Rio’.

'A prisão dele é muito representativa nesse processo de pacificação. Das 27 favelas que já estão pacificadas, só quatro chefes foram presos', explica.

Um dos traficantes mais procurados do Brasil é Alexander Mendes da Silva, conhecido como Polegar. Ele foi preso na quinta-feira (19), no Paraguai. O Polegar conseguiu fugir da prisão – ele estava em regime semiaberto – e continuava comandando o tráfico.

Ele estava no Complexo do Alemão durante a invasão da polícia do dia 28 de novembro do ano passado. Se nós tivéssemos de elencar os quatro mais importantes traficantes do Rio de Janeiro hoje, o Polegar estaria nesse grupo.

Ele era chefe de uma facção na Mangueira, que é uma favela importantíssima. A prisão dele é muito representativa nesse processo de pacificação. Das 27 favelas que já estão pacificadas, só quatro chefes foram presos. Existem 24 chefes soltos.

Isso não compromete a pacificação. Ela funciona com chefes soltos. No entanto, eles continuam operando a compra de maconha e armas do Paraguai. Dos 23 chefes que estão soltos, existe um tão importante quanto o Polegar, que seria o FB, provavelmente solto no Paraguai.

Isso responde a uma pergunta do carioca e do brasileiro: onde estão esses chefes que fogem das favelas pacificadas? Estão possivelmente no Paraguai. Essa prisão do Polegar foi realizada pela polícia paraguaia com apoio de inteligência da Polícia Federal brasileira.

Fernandinho Beira-Mar também estava escondido no Paraguai, que é um importantíssimo produtor de maconha. Pedro Juan Caballero é a cidade onde se concentra a maior parte das lojas de arma que são vendidas e trazidas ao Rio de Janeiro.

A teoria de que um traficante é preso e outro entra em seu lugar ocorre, de fato. No entanto, eles operam dinheiro. Polegar estava com R$ 150 mil comprando um carro de luxo. Eles operam também o atacado da droga.

A prisão continua sendo importante. Apesar de alguém substituir Polegar na Mangueira e apesar da Mangueira pacificada, a prisão de Polegar é importantíssima e simbólica para consolidar a pacificação na cidade.

Fonte: G1/Bom Dia Brasil.

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domingo, 2 de outubro de 2011

Rodrigo Pimentel: 'Ocupação policial em Salvador não pode fracassar'.

27/09/2011 09:07

A polícia vai ocupar três dos bairros mais violentos de Salvador, na Bahia. O número de policiais na operação será abaixo da média dugerida pela ONU.

A polícia vai ocupar três dos bairros mais violentos de Salvador, na Bahia. É o mesmo princípio da ocupação territorial do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

O que o morador deve esperar não é o fim do tráfico. Ele deve esperar a redução dos homicídios, da violência, da criminalidade e da bala perdida.O tráfico continua existindo, desarmado e meio escondido, mais contido.

O número de policiais da operação é bem abaixo da média recomendada pela ONU, que sugere um policial para cada 250 habitantes. No Rio de Janeiro, as UPPs estão trabalhando com um policial para cada 50 habitantes.

Na Bahia, o projeto tem em torno de um policial para cada 335 habitantes. Não é o razoável. Talvez não funcione em função disso, mas é um primeiro passo, que já funcionou em outra favela, que já foi ocupada e ficou um mês sem nenhum homicídio. Isso é um indicador de sucesso. É um projeto perigoso, que tem que dar certo, não pode fracassar, até mesmo para não desacretidar a polícia.

Fonte: G1.

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Polícia da Bahia vai ocupar os três bairros mais violentos de Salvador

Polícia da Bahia vai ocupar os três bairros mais violentos de Salvador.

27/09/2011 – 08:38

A exemplo da UPP no Rio de Janeiro, 360 policiais foram treinados para combater o tráfico e proteger os moradores nos três bairros da cidade.

Mais de 300 policias estão na manhã desta terça-feira (27) nas ruas de Salvador. A polícia vai ocupar três dos bairros mais violentos da cidade. Essa região tem índices de criminalidade muito preocupantes e que chamam a atenção. Foram 57 homicídios no ano passado e 25 até agosto deste ano.

As três bases comunitárias de segurança começam a trabalhar hoje. O modelo é parecido com o da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de Janeiro. A região também tem a maior densidade demográfica da Bahia: 53 mil habitantes por quilômetro quadrado, cinco vezes mais do que a média do município de Salvador.

Os bairros de Nordeste do Amaralina, Chapada do Rio Vermelho e Alto da Santa Cruz estão entre os mais pobres de Salvador. Eles formam uma ilha em meio a bairros ricos da cidade. Os três bairros reúnem cerca de 120 mil moradores. A região é considerada uma das mais inseguras da cidade. É como se fosse o “Complexo do Alemão de Salvador”.

As bases comunitárias foram instaladas em pontos estratégicos, de onde o movimento das ruas pode ser observado. Ao todo, 360 policiais foram treinados para combater o tráfico e proteger os moradores. “Nossa determinação é para que eles façam uma polícia muito mais próxima dessa comunidade”, afirmou o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa.

Das grandes capitais brasileiras, Salvador é a mais violenta. De acordo com dados do Observatório da Segurança Pública baseados em estatísticas oficiais, a capital baiana registra 62 homicídios em cada grupo de 100 mil habitantes. Essa média é seis vezes maior do que a de São Paulo, por exemplo, que tem em torno de dez homicídios.

O objetivo das bases de segurança é reverter esse quadro. A primeira experiência funciona há quase seis meses no bairro do Calabar. Táxi não entrava a qualquer momento, nem o carro do gás. O bairro era dominado por duas facções criminosas.

A guerra entre os traficantes matou seis pessoas no Calabar em 2010. Em 2011, até agora nenhum homicídio foi registrado. “O tráfico de drogas diminuiu em 80% a ocorrência”, contou um policial.

Oito câmeras de vídeo fazem o monitoramento. As ruas e os moradores foram cadastrados e os policiais passaram a fazer visitas rotineiras nas casas. “Estamos dormindo em paz”, disse a diarista Tereza Santos.

Mas nem tudo está resolvido. Metade dos jovens do bairro está na mesma situação de Paulo Emílio dos Santos: além de atrasado no currículo escolar, ainda enfrenta o preconceito do mercado formal de trabalho.
“Só porque eu disse que morava no Calabar, fizeram aquela má vontade em aceitar e me pediram para retornar depois. Eles nem me ligaram”, contou Paulo Emílio dos Santos, que está desempregado.

O Calabar tem 22 mil habitantes, e a base comunitária funciona com 120 policiais. O que precisa ser aperfeiçoado nessa base do Calabar? “É a integração entre o trabalho da base comunitária com a inteligência policial para realmente acabar com a criminalidade. Se não fizer isso, a base vai acabar servindo de segurança para os criminosos. Com certeza, este não é o objetivo da base”, afirmou Carlos Costa, especialista em segurança pública.

Fonte: G1.

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domingo, 11 de setembro de 2011

PM investiga denúncia de corrupção e afasta comandante de UPP no Rio.

11/09/2011 - 15:37 - Atualizado em 11/09/2011 15:50

PMs de UPP no Centro recebiam propina para facilitar tráfico, diz jornal.
Segundo PM, afastamento não significa envolvimento no esquema.

Do G1 RJ

O comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, admitiu neste domingo (11) que a PM investiga denúncias de um esquema de corrupção de policiais na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro, no Centro do Rio.

Os esclarecimentos foram dados após denúncia publicada pelo jornal "O Dia" neste domingo de que agentes recebiam propina de até R$ 53 mil para facilitar o tráfico na região. O coronel informou ainda que vai afastar o comandante e o subcomandante da UPP, o capitão Elton Costa e tenente Rafael Medeiros.

O coordenador de Polícia Pacificadora, coronel Robson Rodrigues, afirmou que em menos de uma semana toda a investigação da PM sobre o caso será concluída. “Na maioria das vezes as investigações começam com denúncias. O subcomandante e o comandante serão afastados, mas isso não significa que eles estejam envolvidos no esquema”, disse.

PMs presos

Mário Sérgio preferiu não informar o valor da propina que teria sido recebida pelos policiais, nem quantos agentes estão sendo investigados. De acordo com o coronel, três policiais – um sargento e dois soldados - foram presos pela Corregedoria da PM na terça-feira (6).

“Precisamos alcançar os policiais corruptos e levá-los a julgamento. Em razão da gravidade, vamos mostrar o caminho da rua a esses policiais. Mas até que o inquérito seja concluído não vamos falar em nomes ou números”, informou Mário Sérgio.

De acordo com a denúncia, o valor das propinas era fixado de acordo com a patente do agente na estrutura do policiamento. Atualmente, a unidade pacificadora conta com 206 policiais trabalhando no local.

Para o coronel Mário Sérgio, o ataque a um policial militar no sábado (10), no Morro do Fallet, não tem a ver com a quebra do esquema de corrupção na comunidade.

Os morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro receberam a 15ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro em fevereiro deste ano. A unidade atente, ainda, aos morros do Fogueteiro e da Coroa. Na época, nove morros do Centro do Rio foram ocupados numa megaoperação da polícia. De acordo com a Secretaria de Segurança, mais de 800 homens atuaram na ocupação.

A Polícia Militar informou que a população pode denunciar qualquer tipo de irregularidade nos telefones 2333-2757 e 2333-2753.

Patrulhamento reforçado

Na noite de sábado (10), um policial militar da UPP do Morro do Fallet ficou ferido durante um confronto com criminosos na localidade conhecida como "Cajueiro". Nesta manhã, a PM reforçou o patrulhamento na comunidade. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e pelo comandante da UPP no local, capitão Helton Costa.

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"O Batalhão de Choque, o Bope e policiais de outras UPPs fazem o patrulhamento. São cerca de 50 homens na comunidade", detalhou o capitão.

Segundo a PM, o confronto aconteceu quando policiais faziam um patrulhamento na região e desconfiaram de um grupo de cerca de dez pessoas. Durante a abordagem, um dos suspeitos atirou contra os policiais, iniciando o confronto que durou cerca de uma hora. Os criminosos conseguiram fugir.

Um policial foi baleado no pescoço e levado para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio, também no Centro. Ainda segundo o capitão Helton Costa, o PM passou por uma cirurgia e não corre risco de morte. O seu estado de saúde é considerado estável. Não há registro de outros feridos na ação.

Confronto na Providência

Também no sábado, policiais de UPP também trocaram tiros com criminosos no Morro da Providência, outra comunidade pacificada no Centro. Segundo a Polícia Civil, quatro suspeitos foram detidos e ninguém ficou ferido. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio, o patrulhamento não foi intensificado neste domingo.

Considerada a primeira favela do Brasil, o Morro da Providência foi a sétima comunidade do Rio a receber uma UPP. A unidade foi instalada em abril de 2010 e funciona num prédio de cinco andares onde ficava uma creche. Ela também atende aos Morros da Pedra Lisa e Moreira Pinto. Juntas, as três comunidades têm cerca de 4 mil moradores, segundo o Censo do IBGE, de 2000.

Fonte: G1.

domingo, 19 de junho de 2011

RJ: após ocupação, Choque de Ordem chega ao Morro da Mangueira.

19/06/2011 - 19:26

Agentes rebocaram 17 veículos e demoliram 8 construções neste domingo.
Ação será permanente para ordenar o espaço público, informou Seop.

Do G1 RJ

 

Choque de Ordem retira carcaça de carro na Mangueira após ocupação da polícia neste domingo (19) (Foto: Divulgação/Seop)Choque de Ordem retira carcaça de carro na Mangueira após ocupação da polícia neste domingo (19) (Foto: Divulgação/Seop)

Após a ocupação do Morro da Mangueira por forças policiais, na manhã deste domingo (19), a Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) começou, na sequência, o que chamou de “processo de ordenamento” da comunidade. Agentes demoliram seis barracas que funcionavam como cantinas e que ocupavam o espaço público na Rua Visconde de Niterói, na entrada da comunidade. Outras duas construções de alvenaria, que eram utilizadas como pontos de mototáxi, também foram removidas.

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De acordo com a Seop, a ação no Morro da Mangueira será permanente para ordenar o espaço público, combatendo problemas como a ocupação irregular das calçadas por carros, sucatas e construções irregulares. Ao todo, 50 homens da Seop, da Guarda Municipal, da Secretaria de Conservação, da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), da Light, da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) e da Subprefeitura da Zona Norte participaram da ação.

Funcionários da Seop participaram de operação Choque de Ordem na Mangueira após ocupação da polícia neste domingo (19) (Foto: Divulgação/Seop)Funcionários da Seop participaram de operação Choque de Ordem na Mangueira após ocupação da polícia neste domingo (19) (Foto: Divulgação/Seop)

Ainda durante a operação, 8 sucatas foram removidas e outros 5 veículos, um caminhão pesado e 11 motos também foram rebocados. A Seop retirou também 23 ligações clandestinas em ruas do local.

A partir da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Mangueira, segundo a Seop, será possível a formalização de comércios e serviços da região através do programa “Alvará Já”, que atua em comunidades pacificadas para incentivar pessoas que trabalhavam na informalidade a se tornarem microempresários individuais.

“Demos início hoje ao Choque de Ordem no Morro da Mangueira juntamente com a ocupação das forças policiais, e ficaremos o tempo que for necessário para ordenar este espaço público e formalizar os comércios da região”, afirmou o secretário de Ordem Pública, Alex Costa. “As ações da Ordem Pública no Morro da Mangueira buscam trazer mais cidadania e qualidade de vida para os moradores”, concluiu.

Fonte: G1.

domingo, 8 de maio de 2011

Moradores do Alemão falam sobre o que mudou 5 meses após ocupação.

30/04/2011 – 07:00

Moradores elogiam coleta de lixo regular e fim das armas e drogas nas ruas.
Mas dizem que insegurança aumentou com fim do controle de traficantes.

Patrícia Kappen Do G1 RJ

Exercito no Alemão (Foto: Patrícia Kappen/G1)Soldados do Exército patrulham ruas da comunidade (Foto: Patrícia Kappen/G1)

Cinco meses após a ocupação pela Força de Pacificação do Conjunto de Favelas do Alemão, comerciantes e moradores contam que as armas e as drogas sumiram das ruas, e a coleta de lixo agora é regular. Mas relataram também o aumento da violência na favela após a saída dos traficantes, que mantinham controle da comunidade com leis próprias.

Rilza Casemiro, dona de um salão de beleza na Rua Joaquim Queiroz disse que a melhoria na qualidade de vida dos moradores é visível. “A principal diferença é que a gente não vê droga na rua mais. Aquilo assustava. Agora a gente não vê mais armas também. Era até tranquilo antes, mas como você explica para uma criança que está crescendo aqui dentro que aquilo não é certo?”

Rilza tem um sobrinho, Renan, de seis anos, que passa muito tempo na casa dela. “A minha casa fica num beco onde tinha uma boca de fumo. Quando eu saía de casa com o Renan ele tampava os olhos para não ver aquilo. Porque ele sabia que era errado de tanto que a gente falava. Quando ele via alguém armado, ele logo dava a mão pra gente”, contou.

Uma das preocupações de Rilza era com as adolescentes da comunidade. “Elas viam as mulheres dos traficantes tendo tudo o que queriam. Como a gente podia falar para elas que é errado ser mulher de traficante?”

Como você explica para uma criança que está crescendo aqui dentro que aquilo não é certo?"

Rilza Casemiro, comerciante

Rilza afirmou, no entanto, que já ouviu relatos de roubos e estupros na favela. “Antes não tinha isso, porque os traficantes não deixavam. A gente agora tranca as portas de casa de noite. Está inseguro. Antes, quem era ladrão ia roubar fora da comunidade. Agora como o roubo, muitas vezes, não dá em nada, começaram a roubar aqui dentro mesmo”, afirmou, completando: “A população passou muito tempo confiando nos bandidos daqui. Então as pessoas ainda não têm essa cultura de ir à delegacia denunciar um roubo.”

Coleta de lixo

A comerciante, que mora no Alemão desde que nasceu, há 29 anos, lembrou que um ponto positivo da ocupação é a coleta de lixo. Segundo ela, agora o caminhão da Comlurb passa todo dia, e há menos sujeira nas ruas. “Quando chove é menos lixo para entupir os bueiros e encher as ruas”, disse. “Mas não adianta coletar se eles não dizem para as pessoas que não pode deixar lixo na porta de casa”.

Lixo Alemão (Foto: Patrícia Kappen/G1)Apesar dos elogios à coleta de lixo, uma montanha de sujeira pode ser vista no chão, ao lado das lixeiras. (Foto: Patrícia Kappen/G1)

Quem também destacou a coleta como uma das principais melhorias após a ocupação do Alemão foi a comerciante Renata de Souza, de 22 anos. Para ela, não ter as ruas cheias é um grande avanço.

Mas Renata também tem críticas do período pós-ocupação. “Antes, quando eram os traficantes, não tinha estupro, não tinha roubo, não tinha briga. Agora tem briga por qualquer coisa.”

Além da queixa do aumento da violência, Renata reclama também da falta de iluminação na comunidade: “Chega 22h a gente não pode entrar, porque está tudo escuro e é perigoso passar”.

'Bandido era o referencial das crianças'

Uma das queixas de outra comerciante da Rua Joaquim Queiroz, que pediu para não ser identificada na reportagem, é que o lucro no comércio caiu depois da ocupação. “Agora as pessoas estão saindo mais, indo a festas em outros lugares, o que é de certa forma positivo, mas diminuiu o nosso rendimento”, disse ela, que tem uma lanchonete. Mas aponta o lado positivo da presença dos soldados: “Descaradamente não tem mais drogas. Não tem mais pessoa com arma aqui. Mas a gente sabe, as pessoas comentam, que ainda tem, só que escondido”, completou.

Moradores Alemão (Foto: Patrícia Kappen/G1)Alemão: estudantes reclamam de soldados (Foto: Patrícia Kappen/G1)

A comerciante tem um casal de filhos, de 13 e 16 anos. “O bandido era o referencial das crianças. Agora isso acabou”, comemorou. Ela preferiu não identificar por achar que a segurança no local será passageira: “Isso aí é uma proteção momentânea”.

Três jovens de 14 e 15 anos, moradores do Alemão e estudantes de escolas da região, reclamaram de um suposto toque de recolher imposto por soldados do Exército. “Eles ficam mandando a gente ir pra casa às 22h30. Às vezes até chutam a gente e dão tapas.”

O G1 solicitou uma resposta sobre as queixas dos moradores à Força de Pacificação, que enviou o seguinte comunicado:

"As ações empreendidas pela Força de Pacificação são pautadas nas normas de conduta decorrentes do Acordo para Pacificação dos Complexos da Penha e do Alemão. Qualquer tipo de denúncia ou sugestão pode ser feita por meio da ouvidoria e disque denúncia disponibilizado para a população. Todas as informações que ali chegam são apuradas de acordo com as normas acima citada."

Fonte: G1.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Após tiros na Prefeitura do Rio, Cabral anuncia nova UPP.

25/01/2011 – 12:01 (Horário de Verão)

Segundo governador, os morros São Carlos, Mineira e Fallet serão ocupados.
Ideia é pacificar toda a região de Santa Teresa, no Centro.

Um dia após a operação que terminou com a sede da Prefeitura do Rio e um helicóptero da TV Globo atingidos por tiros, o governador Sérgio Cabral anunciou nesta terça-feira (25) que todas as comunidades da região de Santa Teresa, no Centro da cidade, vão receber Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

“Toda a região de Santa Teresa, incluindo (os morros) São Carlos, Mineira, Fallet e outros serão pacificados em breve. Isso já estava previsto e a operação de ontem (segunda-feira) foi uma pré-ação”, afirmou Cabral, durante visita ao Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio.

Segundo o governador, nos próximos dias, homens do Batalhão de Operações Especiais, do Batalhão de Choque e de outras unidades irão reconquistar o território nessas comunidades.

Questionado sobre os tiros que atingiram a prefeitura, Cabral afirmou acreditar que o edifício era, de fato alvo dos criminosos. “É uma reação que tem prazo para acabar. Temos contingente e vamos recuperar aquela área”, disse ele.

300 kg de maconha apreendidos

A operação, que contou com cerca de 100 agentes, terminou com um morto, três feridos e um menor detido, suspeito de participar do tráfico de entorpecentes na região.

Segundo a assessoria da Polícia Civil do Rio, foram apreendidos cerca de 300 quilos de maconha hidropônica, um fuzil romeno, uma escopeta calibre 12, granadas, cadernos de anotação do tráfico, balança de precisão, material para endolação e 17 facões para facilitar a divisão da droga.

Fonte: G1.

sábado, 11 de dezembro de 2010

RJ: maior problema está nas armas, e não nas drogas.

O problema brasileiro não são as drogas, mas armas. As UPP (Unidades de Polícia Pacificadora) mudam a rotina de comunidades, mas simbolizam um projeto bom tocado por uma polícia ruim, ineficiente e vinculada ao crime.

Além de liberar moradores do controle do tráfico, o Estado precisa dar infraestrutura e cidadania para evitar que o projeto se desgaste. O apoio da mídia não pode mascarar as deficiências da polícia, que precisa ser refundada.

Essa é a síntese do debate promovido anteontem pela Folha no Cine Glória, no Rio.

Participaram o antropólogo Luiz Eduardo Soares, o consultor de segurança, comentarista de TV e ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e o cineasta José Padilha, sob a mediação da repórter especial Claudia Antunes.

Soares e Pimentel estão entre os autores de dois volumes de "Elite da Tropa", livros que nortearam Padilha nas filmagens de "Tropa de Elite" 1 e 2.

Leia, a seguir, trechos do debate.

UPPs

As UPPs são "um excelente projeto", mas que precisa ser complementado, disse Luiz Eduardo Soares.

"O problema é a transposição de um projeto-piloto para uma política pública, para que tenha escala. Se isso se fizer, em meio à degradação policial, a UPP não prospera, não se sustenta. Para que possa prosperar, as polícias têm de ser transformadas."

O antropólogo apontou que, no Rio, a polícia e o crime são indistinguíveis. "Claro que temos policiais honestos, arriscando sua vida por salários indignos, verdadeiros heróis. Mas são obrigados a conviver com criminosos."

"Não há criminalidade organizada importante no Rio de Janeiro, inclusive o tráfico, sem a aliança, parceria, seja por omissão, cumplicidade e depois participação protagonística, das polícias."

Para Soares, a contratação de novos policiais para as UPPs é a confirmação pelo poder público de que eles não podem contar com as polícias para um projeto inovador, de respeito aos direitos humanos, de valorização da comunidade num serviço congruente com as determinações constitucionais.

José Padilha levantou o que chamou de "paradoxo".

"O projeto da UPP não é da polícia, é do governo. A polícia ficou 30 anos convivendo com o tráfico. A organização policial não fez o projeto das UPPs. O que temos aqui é o governo empurrando uma polícia ruim para fazer um projeto que é bom", afirmou.

Marcelo Freixo disse que o mapa de instalação das UPPs é revelador de seu projeto. "É o corredor hoteleiro, a zona portuária, o entorno do Maracanã e a Cidade de Deus, único lugar em Jacarepaguá [zona oeste] que não está na mão da milícia."

"Não é possível alguém dizer que é coincidência. É um projeto de cidade. É a retomada de territórios que estão em lugares estratégicos para grandes investimentos."

Freixo expôs sua preocupação a partir do exemplo de duas comunidades com UPP que visitou, o Chapéu Mangueira e a Babilônia, ambas no Leme, zona sul do Rio.

"Quem garante que daqui a dez anos esses moradores que construíram aquela comunidade, que são referências históricas e culturais, vão estar mantidos ali?"

"Ficam em um dos lugares mais valorizados do Rio, com uma das vistas mais lindas que já vi. Qual é a política pública que será desenvolvida para que eles consigam ficar ali e resistam a tudo que vai acontecer com a não permanência do varejo da droga?"

Rodrigo Pimentel exemplificou os efeitos da implantação da UPP. "Na Cidade de Deus, a UPP prende uma pessoa por dia por tráfico. Antes da UPP, eram cinco ou seis por mês para uma população de 65 mil habitantes. Agora está um ano sem homicídios. É muito mais impactante."

Refundar a polícia

Luiz Eduardo Soares declarou que o desafio é mudar a polícia. "As investigações que apontam policiais individualmente pela responsabilidade de brutalidades e por corrupção são equivocadas e injustas. Evidentemente, todo indivíduo é responsável por suas práticas."

"Estamos diante de um problema político, institucional, que tem seu padrão de funcionamento", afirmou o ex-subsecretário de Segurança do Estado do Rio.

"Você tem de contratar [no caso das UPPs] e promover toda uma qualificação específica porque não há repasse para a instituição. A instituição não é confiável, está degradada", disse Soares.

"Podemos continuar assim, só contratando policiais? Precisamos usar a polícia, valorizá-la, para que comece a responder a um processo de governança democrático. No Rio, essas mudanças significam refundação", afirmou.

A operação

Ao comentar as acusações de violência, roubo e furtos por policiais na ocupação do Complexo do Alemão, Marcelo Freixo disse que se aceita que a polícia aja no local de um modo que seria impensável em Ipanema, bairro nobre da zona sul carioca.

"A gente acha normal que a dignidade no Rio tenha CEP. A gente acha naturais coisas completamente absurdas. Coisas que seriam inadmissíveis em qualquer lugar. Como se aquela população tivesse responsabilidade pela barbárie que ela viveu mais do que ninguém."

"Quem era a principal vítima do tráfico no Alemão? Nós? Não, eles. O respeito deveria ser muito maior a eles."

Rodrigo Pimentel relatou o que sentiu quando viu as imagens de traficantes fugindo no alto do morro.

"Muita gente se perguntou por que a polícia não deu tiro em todo mundo e matou aqueles 200. Confesso que era o meu desejo. Não tenho a menor vergonha de dizer que gostaria que eles morressem. Era uma situação de beligerância, de guerra."

Drogas e armas

Luiz Eduardo Soares disse ser "absolutamente fundamental" distinguir armas e drogas. "No negócio da droga ilícita, eu sou antiproibicionista. Sou a favor da legalização das drogas."

"Se nós separarmos drogas e armas, talvez consigamos fazer o fundamental, que é salvar vidas. Porque as armas são a principal responsável por essa violência letal, todos nós sabemos. No Brasil, não há controle das armas ilegais. O nosso problema não são as drogas."

Mídia e abusos

Como comentarista de segurança da Rede Globo, Pimentel ficou 34 horas no ar em cinco dias. "Talvez eu seja um pouco responsável por essa onda otimista, mas é difícil esconder o entusiasmo."

"Quem conhece o Complexo do Alemão e sabe o quanto aquilo gera de violência sabe que a operação foi um divisor de águas", afirmou.

Pimentel contou um episódio: "Quando terminou a operação, a gente disse lá na Rede Globo: vai ter UPP no Alemão. Recebemos um contato do governo do Estado dizendo isso, mas o secretário de Segurança nos desmentiu. "Não é meu planejamento neste momento", ele disse.

"Nós insistimos porque a sociedade do Rio não admite mais uma operação policial desacompanhada de UPP. À noite, o governador disse: "Vai ter UPP no Alemão"."

Padilha aparteou Pimentel para afirmar: "Você resumiu o que está acontecendo: a Rede Globo falou que iria ter UPP no Alemão, o [secretário] Beltrame falou que não e aí o governador fez o que a Rede Globo falou para ele fazer: UPP no Alemão."

"É o "Diário Oficial" antecipado", emendou Freixo.

O cineasta retomou: "Por que tem 50 corregedores no Alemão? Porque tem 50 câmeras. Se não tivesse, não teria nenhum. Vamos ser realistas. A Globo está empurrando uma polícia ruim para fazer um programa bom."

Contrapondo-se a Pimentel, Padilha questionou: "Qual é o papel da imprensa? Mobilizar ou informar? Eu acho que a imprensa tem de informar: a UPP é boa para os moradores, melhor que o tráfico, porém a polícia está corrompida, não representa o bem", declarou.

"Que governo é esse que só fez UPP por que a Globo falou para ter? Que só colocou corregedoria depois que a Globo mostrou?"

Fonte: Folha de São Paulo.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Para socióloga, Rio tem UPPs, mas não política de segurança.

25/11/2010 – 08:53

PLÍNIO FRAGA
DO RIO

A socióloga e ex-diretora do Sistema Penitenciário Julita Lemgruber, que está lançando o livro "A Dona das Chaves - Uma mulher no comando das prisões do Rio", afirma que "legislar sob pânico" não é adequado para momentos de crise ("não é o tamanho da pena que reduz a criminalidade, mas a certeza da punição") e diz que o Rio tem política de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), mas não política de segurança ('a polícia do Rio soluciona 8% dos homicídios contra 60% de São Paulo na capital').

Declara que o "Brasil prende muita gente e prende mal" ("quem vai preso são pequenos traficantes e autores de pequenos crimes contra o patrimônio. Meio milhão de presos é um investimento na própria insegurança").

Autora também de "Cemitério dos Vivos", estudo sobre o sistema carcerário, e "Quem Vigia os Vigias", sobre o controle externo na polícia, Julita Lemgruber escreveu seu novo livro em parceria com a jornalista Anabela Paiva. O resultado é uma reunião de histórias graves, tensas, humanas, mas também saborosas do período em que dirigiu os presídios do Rio, entre 1991 e 1994.

Conta no livro que os guardas resumiram para ela os segredos de uma cadeia tranquila: 'bola, bala e bunda' (futebol, maconha e sexo). Aponta de forma grave o desinteresse da sociedade pelo o que acontece nas prisões: 'Boa parte dos cidadãos reage com indiferença ou mesmo com satisfação à violência contra os acusados de crimes. (...) A maioria dos brasileiros quer trancafiar os bandidos e jogar a chave fora', escreve.

"O Brasil não tem pena de morte. Esses homens e mulheres que estão presos hoje vão sair da cadeia algum dia. Se a gente trata essas pessoas com desumanidade, com crueldade, sem respeitar as famílias, tirando a possibilidade de contato dessas pessoas com o mundo aqui fora, estaremos criando monstros", afirma.

Julita Lemgruber --mãe do ator Rodrigo Candelot, que interpreta um político corrupto em 'Tropa de Elite 2'-- acha que uma política de segurança pública necessita mais do que tropas. 'Não é só botar polícia na rua. É preciso planejamento das suas ações, implementação de uma estratégia e monitoramento do que faz. É um trabalho articulado. Você só planeja quando conhece muito bem a realidade.'

FOLHA - O Estado atribui os conflitos desta semana no Rio a ordens que partiram de líderes do tráfico que estão presos. Como lidar com isso? A sra. cita no livro frase de ministro inglês de que prisões são 'um modo caro de produzir pessoas piores'.

JULITA LEMGRUBER - O Brasil tem meio milhão de pessoas presas. A quarta maior população prisional do mundo. Meia dúzia está aí envolvida em dar ordem, em ter alguma responsabilidade no que acontece na cidade. Por causa dessa meia dúzia, amanhã já haverá deputado propondo medida legislativa de restrição. O [secretário José Mariano] Beltrame disse que tem de rever a legislação prisional. Isso prejudica milhares de pessoas que estão procurando cumprir sua pena, com bom comportamento para conseguir os benefícios legais. No fim, vão querer cortá-los. O que me deixa irada nessas horas é que as pessoas não percebem uma coisa: o Brasil não tem pena de morte. Esses homens e mulheres que estão presos hoje vão sair da cadeia algum dia. Se a gente trata essas pessoas com desumanidade, com crueldade, sem respeitar as famílias, tirando a possibilidade de contato dessas pessoas com o mundo aqui fora, estaremos criando monstros.

Os criminalistas falam na legislação do pânico. Sempre que há um crime que choca, sempre aparece algum deputado propondo uma legislação mais rigorosa. No mundo inteiro, sabe-se que não é com legislação que vai dar conta de reduzir criminalidade. Melhor exemplo disso é a legislação draconiana que temos a respeito de drogas. De que serve? Sou a favor da legalização do uso e da distribuição de todas as drogas. Só no Talavera Bruce há 60% das mulheres presas por tráfico de drogas. Qual é o poder dessas mulheres no tráfico do Rio? Muitas são pobres coitadas que são mulas, que recebem dois mil réis para levarem droga para a Europa ou de países latino-americanos para cá. Uma vez ou outra a polícia consegue prender lideranças do tráfico, mas em 99% dos casos são pessoas sem nenhum poder na estrutura do tráfico. E estamos entupindo as cadeias com esse tipo de gente. Querem tornar a legislação mais rigorosa ainda?

As ordens de presos a traficantes são passadas por meio de advogados e visitas de familiares. O que fazer?

Pesquisas mostram que quanto maior o contato do preso com sua família maior a possibilidade de ele não reincidir quando sair. Estimular o contato do preso com a família é fundamental. A legislação garante que o preso tenha acesso a seu advogado. A menos que as conversas com os advogados fossem monitoradas com o que a OAB se rebelaria os presos podem passar recados por meio dos advogados. Não estou dizendo que todo advogado tem comprometimento com a bandidagem. Conto no livro que no meu tempo havia advogados que faziam um périplo pelas cadeias. Fizemos um mapeamento mostrando que eles claramente atuavam como pombo correio. Fui à OAB, com uma lista de nomes. A OAB não fez nada, dizendo que é direito do advogado visitar seus clientes. Alguma coisa desse tipo você pode impedir. Mesmo em prisão de segurança máxima, é direito do condenado ser assistido por advogado. Está na Constituição. Pode, no limite, colocar um vidro para separá-lo do advogado. E como impedir a visita de familiar? Tem uma questão que tem de funcionar melhor: as áreas de inteligência das nossas polícias funcionam muito mal. Estão sempre correndo atrás do prejuízo. Não conseguem se antecipar. No sistema penitenciário, não é muito difícil trabalhar com a área de inteligência. Tem sempre algum preso 'vendendo' alguma informação, em troca de algum tipo de favor lá dentro. Num momento de crise, você pode montar um sistema de inteligência bem articulado entre polícia e prisões.

O que chama de 'legislação do pânico'?

A legislação do pânico não resolve nada. Em 1992, por exemplo, foi agravada a pena para sequestros. Nos anos seguintes, nunca houve tanto sequestro no Rio. Nos EUA, os Estados que têm pena de morte não tem criminalidade menor do que os demais. Não é o tamanho da pena que inibe a criminalidade, mas a certeza da punição. Aqui no Rio 8% dos homicídios são esclarecidos.

O discurso que a sra. faz costuma ser confundido como de proteção a criminosos.

A área de direitos humanos no Brasil sofre até hoje o resultado de uma discussão mal conduzida logo que acabou a ditadura. Brizola no Rio e Montoro em São Paulo começaram uma discussão de direitos humanos que foi mal conduzida. Fomos para o sistema penitenciário em 1983 achando que iria virar aquilo de cabeça para baixo. É uma instituição que tem regras arraigadas, que não se mudam do dia para a noite. Agentes diziam que defender os direitos humanos seria como cruzar os braços.

Direitos humanos são para todos ou ninguém terá direitos humanos. O tema não foi bem trabalhado. Acabou ficando a ideia equivocada de que direitos humanos são para beneficiar bandidos. Ficou essa ideia de quem defende direitos humanos defende leniência, 'cadeia mamão com acúçar', um certo 'laissez faire' na segurança pública.

Combater o crime dentro da cadeia parece esdrúxulo, não?

No Rio e em São Paulo, há uma relação grande entre o que acontece na cadeia e o que acontece fora. Como, em geral, a garotada que lidera do lado de fora é inexperiente e há lideranças presas muito respeitadas, claro que há ligação entre o que acontece lá dentro e aqui fora. Não é a mesma coisa em Minas Gerais, por exemplo. Mas não dá para generalizar medidas por causa de momentos como o atual. Medidas que prejudiquem uma massa carcerária que não tem nada a ver com isso. Quando o Beltrame diz que os problemas do Rio de Janeiro vêm de décadas, ele tem razão.

Qual a origem do problema?

Houve uma falta de continuidade na política de segurança pública. Ao contrário de São Paulo, que teve muito investimento, investimento em tecnologia. Em São Paulo, na capital, estão esclarecendo 60% dos homicídios. São Paulo tem uma sofisticação tecnológica maior do que no Rio, que é resultado dessa política de segurança pública de investimento em capacitação, em tecnologia para o pessoal da área de homicídio. SP tem 600 pessoas na divisão de homicídio. No Rio, ela é recém-criada [com 250 homens, sendo que o Rio tem num mês 30% mais homicídios do que São Paulo].

O país tem presos demais?

O Brasil prende demais e mal. Menos de dez por cento dos homicídios são resolvidos. Quem é preso hoje? Usuário de crack furtando objetos de pequeno valor, por exemplo. As prisões estão coalhadas de garotos envolvidos em tráfico de drogas e crimes de pequena monta. Coalhadas de gente que podia estar sendo punido com uma pena que não é de privação da liberdade e um número enorme de homicidas andando pelas ruas. Meio milhão de presos é um investimento na própria insegurança. Cadeia não resolve. A noção de que punir é botar na cadeia tem de mudar.

Como vê a atual política de segurança do Rio?

A primeira discussão é sobre o que é política de segurança. No Rio, há uma política de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), mas não uma política de segurança. Em nenhum momento sabe-se qual é a política de segurança do Rio de Janeiro para as áreas onde não há UPP. Eles conseguiram articular muito bem as estratégias das UPPs. Mas e aí? Há 13 comunidades com UPPs. Qual é a política de segurança para o resto do Estado? Falta política de segurança pública e não só no Rio. Discussão mais sofisticada e planejamento que pode revelar o que se poderia chamar de politica de segurança. Não é só botar polícia na rua. É preciso planejamento das suas ações, implementação de uma estratégia e monitoramento do que faz. É um trabalho articulado. Você só planeja quando conhece muito bem a realidade.

A queda de criminalidade em Nova York não ocorreu pela política de tolerância zero. Foi um trabalho policial sofisticado, com planejamento. Eles têm em tempo real tudo o que acontece na cidade. Os chamados 'hot spots'. Para planejar tem de conhecer muito bem a dinâmica da criminalidade, onde vai atuar a polícia, como articular Polícia Civil e Polícia Militar... Aqui o nível de corrupção é muito grave. O Rio de Janeiro tem um problema que remonta à época de ouro do jogo do bicho, quando havia corrupção generalizada na polícia. Os policiais se acostumaram a ganhar um extra. Foi do bicho para o tráfico.

Como avalia a gestão de Beltrame?

A gestão do Beltrame tem muitos méritos. Primeiro de ser absolutamente séria. É um grande mérito no cenário do Rio dos últimos anos. Já tive debate com Beltrame que a gente se estranhou bastante. Posso divergir dele, mas não posso questionar sua seriedade. Nos dois primeiros anos do governo Cabral, a violência da polícia chegou a níveis insuportáveis. Mais de mil mortes por ano. Eles se deram conta de que tinham de fazer alguma coisa. Acordaram que não se combate violência com violência. Há momentos como o que estamos vivendo que polícia tem de ir para a rua mesmo. Mas com muito cuidado. O risco é cair numa escalada de violência que não vai resolver.

Fonte: Folha.com.