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“Jesus perguntou: ‘Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos? Pedro respondeu: ‘Dos estranhos!’ Então Jesus disse: ‘Logo os filhos são livres’” (Mateus 17, 25-26).

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

1ª mulher a comandar tropa de elite venceu Bope 'sem pedir para sair'.

Cynthiane teve cabelo raspado e ficou 5 meses na mata em curso do Bope.
Oficial lidera o Batalhão de Choque da PM do DF e diz: 'ainda quero mais'.

Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

Tenente-coronel Cynthiane Maria Santos comanda tropa de choque da PM no DF (Foto: Vianey Bentes/ TV Globo)

Cynthiane raspou o cabelo e passou cinco meses com um grupo de homens na mata, enfrentando dificuldades impostas por um dos mais rigorosos cursos de ações táticas e operações especiais do país, que prepara policiais de tropas de elite para atuar em situações complexas como sequestros e distúrbios em presídios. No dia 19 de outubro, a hoje tenente-coronel Cynthiane Maria Santos, de 40 anos, foi nomeada pela Polícia Militar a primeira mulher a comandar uma tropa de elite no Brasil: o Batalhão de Choque do Distrito Federal.

No curso [do Bope], a pressão é tanta que você fica assexuado. Não tive nenhum problema"
Cynthiane Maria Santos, tenente-coronel da PM

cynthiane_policia_flores_300 (Foto: Brito/Agência Brasília)Oficial recebe buquê de flores da primeira-dama do DF em solenidade (Foto: Brito/Agência Brasília)

Rastejar na lama, buscar criminosos na mata e suportar frio, longas caminhadas, noites sem dormir, racionamento de comida e horas seguidas de aulas de tiro garantiram a Cynthiane a farda com uma caveira, símbolo das melhores tropas de elite do mundo.

Ela é uma das poucas brasileiras a concluir um curso da elite da polícia. Formada em 1999 no treinamento do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Distrito Federal, foi a única mulher em meio a 42 homens. Vinte abandonaram. Ela, não.

"Ainda há preconceito. Ouço comentários de que não acreditam que eu concluí o curso, que não sou capaz. Mas os homens me respeitam, nunca tive caso de insubordinação. Ainda quero mais. Todo mundo sabe que meu sonho é comandar o Batalhão de Operações Especiais", diz a tenente-coronel.

Ela garante que não teve qualquer regalia ou diferencial em relação aos demais colegas. Nos treinamentos na mata, tinha que procurar "uma moita" mais longe quando precisava ir ao banheiro. "No curso, a pressão é tanta que você fica assexuado. Não tive nenhum problema".

'Pede pra sair'

As dificuldades do curso fizeram Cynthiane pensar em desistir. "Eu falava 'vou pedir para ir embora, não aguento mais', e meus colegas do curso me incentivavam a fazer isso. Eles respondiam ‘pede, pede para sair mesmo, porque daí eu posso sair também’. Não desistiam porque eu ainda estava lá", relembra. "Mas daí eu pensava: daqui eu não saio, daqui ninguém me tira".

Além do Distrito Federal, nove estados possuem Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Em nenhum deles, no entanto, uma mulher completou o curso de formação. Em Roraima, uma sargento passou nos testes físicos e psicológicos, conseguiu ingressar no treinamento que dura 7 meses, mas foi cortada depois de 80 dias. Segundo o major Elias Santana, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais de Roraima, ela não suportou as adversidades do curso.

Eu falava 'vou pedir para ir embora, não aguento mais', e meus colegas do curso me incentivavam a fazer isso. Eles respondiam ‘pede, pede para sair mesmo, porque daí eu posso sair também’.

Cynthiane Maria Santos

No Bope do Rio de Janeiro, famoso pelo filme "Tropa de Elite", nenhuma mulher foi formada desde que a unidade foi criada, em 1978. Em São Paulo, tanto as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) quanto o Comandos e Operações Especiais (COE), tropas usadas na repressão contra grupos armados em situações de alto risco, não permitem mulheres em seus grupos operacionais.

cynthiane_policia_bope_df_300 (Foto: Arquivo Pessoal)Cynthiane fez curso do Bope com 42 homens, teve o cabelo raspado, enfrentou dificuldades, mas não "pediu para sair" (Foto: Arquivo Pessoal)

Os cursos de Comandos, do Exército, de Para-Sar, da Aeronáutica e de Comandos Anfíbios, da Marinha, também não permitem o ingresso de mulheres. Os três grupos das Forças Armadas formam agentes extremamente especializados em ações contra-terrorismo, no resgate de reféns, em inteligência e ações diferenciadas em zonas de conflito.

"Este universo de tropas especiais é muito masculino. Eu já estou completamente integrada aqui no Distrito Federal, mas deve ter situações pelo país que mulheres ainda enfrentam muito preconceito", afirma Cynthiane.

A minha chegada ao comando mostra que uma mulher pode qualquer coisa, basta querer, ter preparo psicológico e persistência

Cynthiane Maria Santos

Depois de Cynthiane, nenhuma outra mulher fez um curso de operações especiais no Brasil. Onze anos antes dela, duas mulheres, também no Distrito Federal, fizeram um curso semelhante, mas ainda não existia Bope na região.

"A minha chegada ao comando mostra que uma mulher pode qualquer coisa, basta querer, ter preparo psicológico e persistência", completa a oficial, com unhas pintadas de vermelho e longos cabelos pretos presos em um rabo de cavalo.

"Vamos cortar o cabelo longo dela"

Cynthiane recorda que, no início do curso, ouviu uma conversa entre dois instrutores. "Vamos cortar o cabelo longo dela e fazer ela se desligar. Pegar ela pela vaidade", recorda. "Eu ouvi o comentário e cheguei ao quartel de cabelo curto, mas decidiram passar máquina zero. Meu filho tinha 3 anos e se assustou quando me viu. Eu brinco que carreguei cada um dos meus companheiros nas costas, porque tinha que mostrar que eu estava ali para sobreviver, para mostrar para eles que eu era capaz", diz a oficial.

"Acho que foi muito mais difícil para eles, homens, entenderem que eu estava passando por todas as etapas e conseguindo ir adiante, do que para mim. Quando decidi fazer o curso, pensei: eu só saio daqui se algo grave acontecer. Não vou desistir", afirma.

cynthiane_montagem (Foto: Arquivo Pessoal)Nos treinamentos do curso do Bope, Cynthiane não teve regalias e realizou as mesmas tarefas que os 42 colegas homens (Foto: Arquivo Pessoal)

Treinamento diferenciado

O Bope do Rio de Janeiro, unidade reconhecida como uma das melhores do mundo em incursões em favelas, devido a operações diárias contra traficantes, tem algumas policiais mulheres que trabalham em áreas como medicina e comunicação social. No entanto, segundo o coronel Mário Sérgio Duarte, ex-comandante-geral da PM do Rio e que comandou o Bope, nenhuma delas fez o curso.

"Não há mulheres cursadas no Bope. Até há algumas do quadro de combatente, em outros setores. Tínhamos o projeto de adequar o curso para a presença de mulheres, com um teste de aptidão física (TAF) e treinamentos diferenciados, mas não acabou ocorrendo", diz Duarte.

 

 

 

Para mim, é um enorme desafio comandar o Choque por nenhuma outra mulher ter comandando uma tropa de elite no país. Mas não deixo a feminilidade de lado, por ser o que eu sou. Uso vestido, salto alto, maquiagem. Fora do quartel, eu sou a Cyntiane, não a comandante"

Cynthiane Maria Santos

Através da assessoria de imprensa, o Bope do Rio de Janeiro informou que não limita vagas pelo sexo e que tanto homens como mulheres podem se inscrever no curso. "As provas seletivas são as mesmas e não há previsão para modificação no edital, visando diferença em qualquer etapa do concurso".

Filha de militar do Exército, a tenente-coronel Cynthiane lembra que sempre teve o apoio da família na carreira, desde que ingressou na Academia da PM do Distrito Federal, em 1992. Nas ruas, ela trabalhou no policiamento de trânsito, na Guarda Presidencial e, por um ano, em missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Timor Leste.

"Quando me formei como PM, os tempos eram outros. As mulheres trabalhavam em grupos separados dos homens. Depois que fiz curso de pós-graduação, assumi a responsabilidade por áreas de ensino da polícia", relembra. "Resolvi conhecer um dos vários cursos realizados no Bope e o primeiro que fiz foi para me especializar na segurança de autoridades. Eu estava em ótima forma física e o comandante do Bope me convidou para ficar. Não tinha ideia do que me esperava".

No comando do Batalhão de Choque, que inclui pelotões que buscam conter assassinatos na região metropolitana do Distrito Federal, a oficial diz que a profissão lhe permite viver muitas emoções e "situações bem peculiares". "Quanto você está em uma troca de tiros, sua vida está em risco por milímetros. É uma situação em que você está muito exposto", diz.

Ela recomenda que mulheres tenham coragem para arriscar na carreira. "Para mim, é um enorme desafio comandar o Choque por nenhuma outra mulher ter comandando uma tropa de elite no país. Mas não deixo a feminilidade de lado, por ser o que eu sou. Uso vestido, salto alto, maquiagem. Fora do quartel, eu sou a Cyntiane, não a comandante."

Fonte: G1.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Caveira símbolo do Bope: mudar ou não mudar?

09/06/2010 – 19:05

A foto de soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) distribuindo autógrafos para crianças no Morro do Borel, na Tijuca, levou o chargista Leonardo a propor um novo símbolo para a tropa de elite: em vez da caveira cravada com uma espada na vertical e duas garruchas nas laterais, o chargista desenhou um "smile" cravado com um sorvete de casquinha e dois pirulitos. A ideia foi mostrar uma mudança de comportamento de moradores de favelas em relação à tropa de elite: em vez de temidos, os homens de preto são recebidos de braços abertos pela população de comunidades em processo de pacificação.

É claro que se trata de humor, mas a questão vem levantando polêmica. O Bope deve adotar uma marca menos macabra? A própria Polícia Militar já considera a caveira um logotipo de gosto duvidoso, tanto que irá investigar candidatos a soldado que tenham a caveira do Bope tatuada no corpo, como informou ao EXTRA o tenente-coronel Frederico Caldas, chefe do Centro de Recrutamento de Praças.

- Teremos que investigar a motivação do candidato: ele fez por idolatrar o Bope ou porque matou um policial, por exemplo? - disse Caldas, em reportagem publicada pelo EXTRA no último dia 2 de junho.

Criador do Bope em 1978 (com o nome de "Núcleo da Companhia de Operações Especiais"), o tenente-coronel de reserva Paulo Amêndola explica que o atual símbolo da tropa de elite significa "vitória sobre a morte".

- A missão do Bope, quando foi criado, era resgatar com vida pessoas que eram mantidas reféns por marginais armados. Isso foi motivado após um uma pessoa que era mantida refém por detentos que faziam uma rebelião no presídio Evaristo de Moraes, na Quinta da Boa Vista, ter sido morta após a invasão da penitenciária pela PM. Ao longo do tempo, decisões políticas de alguns governadores tornaram o Bope em tropa de repressão ao tráfico, para evitar a morte de inocentes durante operações da PM em comunidades carentes - explica Amêndola.

Ele é contra a mudança do símbolo:

- A caveira do símbolo significa morte, e a espada cravado na vertical, de cima para baixo, quer dizer vitória. Ou seja: o símbolo significa vitória sobre a morte. Já as garruchas que cruzadas nas laterias da caveira são o símbolo internacional das polícias militares. Desta forma, em qualquer missão onde o Bope troque tiros com delinquentes armados, o símbolo quer dizer que a vitória sempre seja da tropa legal, ou seja, da polícia. Por isso sou contra a mudança do símbolo do Bope.

Ex-capitão do Bope, o capitão Rodrigo Pimentel (um dos autores do livro "Elite da Tropa", que inspirou o filme "Tropa de Elite") também defende a manutenção da caveira:

- A caveira hoje é uma marca consagrada e muito bem estabelecida no imaginário da população. Abandonar a caveira seria como a Coca-Cola mudasse de símbolo. Concordo que uma caveira remete à morte ou à pirataria. Mas se anos atrás o símbolo escolhido foi esse, hoje ele lembra uma tropa honesta que combate o narcotráfico em qualquer lugar.

Segundo Pimentel, com o sucesso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a cada nova comunidade ocupada pelo Bope, a receptividade dos moradores é melhor:

- O tipo de policiamento comunitário que o Bope faz nas comunidades em processo de pacificação foi "aprendido" na Favela Tavares Bastos, no Catete, que há nove anos abriga a sede do batalhão. O Bope abriu suas portas para a comunidade, com diversos cursos, e assumiu papel de mediação de conflitos. Os outros dois batalhões da PM localizados no interior de favelas não conseguiram fazer policiamento comunitário: o 22º BPM (Maré) e o extinto BPVE (na Vila Kennedy). Após a ocupação do Pavão-Pavãozinho pelo Bope, a primeira reunião com moradores da comunidade contou com dez pessoas. Já a última reunião no Borel, o auditório ficou superlotado.

Fonte: Extra Online.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Atirador de Elite (Sniper) – O treinamento.

30/09/2009

Depois do caso em que o Major da PMERJ acertou em cheio o assaltante que fez refém uma mulher no Rio de Janeiro, o interesse pela formação dos atiradores de elite (sniper) vem crescendo. Sugiro aos leitores do Abordagem Policial que assistam o vídeo com uma matéria do Fantástico que trata do treinamento dos atiradores do BOPE, da PMERJ. Clique na vídeo abaixo para assistir.

Fonte: Blog Abordagem Policial.