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domingo, 9 de setembro de 2012

Exército planeja ensino integral em todos os colégios militares até 2015.

Sistema atende 14 mil alunos do 6º ano fundamental ao 3º do ensino médio.
Sete das 20 melhores escolas do país são militares, segundo o Ideb 2011.

Ana Carolina Moreno
Do G1, em São Paulo*

O Exército Brasileiro planeja ampliar o ensino em período integral para os 12 colégios militares existentes no Brasil até 2015. Atualmente, apenas duas escolas adotam o turno integral em alguns anos do ensino fundamental: o Colégio Militar de Salvador (CMS), desde 2011, e o Colégio Militar de Santa Maria (CMSM), que adotou o sistema este ano. A ideia do Exército é implantar o novo regime de maneira gradual, a partir do sexto ano.

"Nossa perspectiva é que até 2015 todos os colégios militares funcionem em turno integral", afirmou o general de brigada Luis Antonio Silva dos Santos, que comanda a Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial (Depa) do sistema responsável pelos colégios militares.

As escolas ligadas ao Exército tiveram bom desempenho, em relação a outras escolas públicas, no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Sete das 20 melhores escolas do país no Ideb 2011, divulgado pelo governo federal em agosto, fazem parte do Sistema Colégio Militar do Brasil. Cinco dos 12 colégios militares tiveram o maior Ideb de seus estados (todos estão entre os dez melhores). Nove foram as melhores escolas de seus municípios, enquanto outros dois estão na segunda e terceira colocação da cidade. Apenas um colégio é o sexto melhor do município.

O indicador, feito a cada dois anos desde 2005, calcula a relação entre rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e desempenho na Prova Brasil (português e matemática) aplicada para crianças do 5º e 9º ano do fundamental e do 3º ano do ensino médio.

O general de brigada afirmou que são muitos os fatores responsáveis pelo sucesso dos colégios militares. "No entanto, pode-se perceber que o excelente nível de nosso corpo docente, o planejamento escolar, com proposta pedagogia e currículos bem definidos, a existência de meios físicos adequados o comprometimento de nossas equipes e do entendimento de sempre fazer o melhor para atender à família militar fazem parte desses fatores", disse.

Os doze colégios militares brasileiros estão localizados em Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Juiz de Fora, Manaus, Porto Alegre, Salvador, Santa Maria, Recife e Rio de Janeiro.

As instituições oferecem a cerca de 14 mil estudantes da rede pública do 6º ao 9º do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio educação que inclui uso de lousa digital, projeto de robótica, passeios, trabalho de campo e culto à pátria.

Investimento maior

O Exército do Brasil não divulgou o valor total de investimento por aluno, mas a estimativa é de que se equipare a índices europeus e seja cerca de três vezes maior que nas demais escolas públicas.

No Paraná, o melhor colégio foi o Militar de Curitiba (CMC). O comandante e diretor de Ensino no CMC, André Germer, destacou o apoio que os professores têm para trabalhar. "Os nossos professores são muito bem preparados. Nós temos aqui uma divisão de ensino, com pessoas especializadas que ajudam na montagem de provas, no planejamento do ano escolar, na parte psicopedagógica. Além disso, uma equipe muito boa de supervisão escolar passa nas salas de aula e dá dicas aos professores de como melhorar as aulas", explicou. Ele reitera que a estrutura da escola apoia o ensino dentro das salas de aula, com melhorias constantes nas instalações e aquisições de materiais.

Germer considera importante o período que o CMC disponibiliza para os professores exercerem as atividades de fora da sala de aula. "Eles têm a tarde livre no colégio para preparar a aula, então não precisam corrigir trabalho à noite e no final de semana", explicou.

Disciplina

O general Santos afirma que os estudantes não são militares, não vestem farda e são cobrados e disciplinados como nas escolas civis. Nas escolas do sistema do Exército, porém, os uniformes incluem saias, meia-calça e sapatos, além de exigirem que as meninas levem o cabelo preso. Os alunos são hierarquizados de acordo com seu rendimento e recebem patentes que vão até a de "comandante do batalhão escolar".

Segundo o coronel Gil de Melo Rolim, comandante do Colégio Militar de Campo Grande, o melhor de Mato Grosso do Sul, a disciplina e o comprometimento com os estudos são as chaves para alcançar as metas de ensino. "O ensino aqui é pautado na aprovação. Durante o ciclo todo, o aluno só pode reprovar uma vez. Se ele reprovar a segunda, sai da escola", disse ao G1.

Para dar suporte ao estudante e ajudá-lo a recuperar as médias, existe uma avaliação individual das notas a cada dois meses. Se o jovem não foi bem em alguma matéria, é feita uma análise se foi dificuldade de compreensão ou se o conteúdo não foi bem explicado pelo professor.

A escola tem reforços, clubes de estudo e professores de plantão unicamente para resolver dúvidas e ajudar nas dificuldades, de acordo com o comandante. "O segredo pedagógico é dar todos os recursos para que o aluno possa estudar e depois cobrá-lo. Assim, ele aprende a ter a disciplina no estudo", conta Rolim.

No Colégio Militar de Brasília, do total de cerca de 2,8 mil alunos matriculados atualmente, 85% são filhos de militares. A escola abre concurso para a comunidade quando há vagas. Apesar de ser classificada como uma escola pública, os estudantes de ensino fundamental pagam uma mensalidade de R$ 140 por mês – valor que chega a R$ 160 para as séries do nível médio.

"Temos a proposta de formar o cidadão de acordo com os princípios, os valores do Exército. É uma formação integral, não só no aspecto cognitivo, mas também psicomotor, cultural e afetivo. Isso envolve muitas coisas, não só ministrar aulas", afirma o chefe da divisão de ensino do CMB, coronel Samuel Horn Pureza.

No Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH), que tem o maior Ideb de Minas Gerais, a coordenadora do 3º ano do ensino médio, capitão Pollyanna Lara Vilanezi, aponta uma diferença básica entre as turmas dos colégios militares e de outras escolas. (Veja ao lado reportagem do Bom Dia Brasil sobre o desempenho dos colégios militares no Ideb)

Durante o ciclo todo, o aluno só pode reprovar uma vez. Se ele reprovar a segunda, sai da escola"

Coronel Gil de Melo Rolim

"A turma, regulamentarmente, tem que ficar de pé quando o professor chega. Então, não existe aula que aconteça sem que todos os alunos sejam apresentados para o professor. Em relação à disciplina, à conversa, é normal, mas nós temos métodos, uma estrutura disciplinar que nos permite controlar isso, o que talvez a gente não tenha com tanta veemência em outros colégios", conta.

Entre os alunos do CMBH, também há uma estrutura hierarquizada, baseada no mérito por nota. Os melhores estudantes de cada ano recebem patentes, que vão de cabo a coronel-aluno. "O melhor aluno do 3º ano comanda o batalhão escolar", afirma o comandante.

"Todo o trabalho conduzido nos colégios militares, respeitando as condições climáticas de cada região do Brasil, passa por uma identidade. Identidade que se materializa no uniforme, nos livros e no currículo; identidade que se materializa no grito de guerra do Sistema e que permite observar a unidade entre os alunos", explicou o general Santos, da Depa.

Turmas homogêneas

Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Acesso à Educação, o sistema dos colégios militares funciona em turmas homogêneas de alunos. Elas são formadas em um processo que, segundo o regulamento divulgado no site da Depa, exige dos candidatos selecionados no exame acadêmico a aprovação em um exame de saúde.

De acordo com o subdiretor do Colégio Militar de Salvador (CMS), Coronel Salomão, "para que um aluno aprenda é necessário que ele esteja bem em todas as esferas de sua vida: na família, com os amigos, na escola". Daniel Cara afirma que é justamente o envolvimento da comunidade que estimula os bons resultados. "Existem pesquisas nos Estados Unidos já na década de 1960 que mostram que, nas escolas em que os pais têm mais interesse e participam mais, os alunos vão melhor."

Entre exemplos brasileiros além da estrutura militar, ele cita os colégios técnicos da rede estadual em São Paulo, que também têm processo seletivo para ingresso de novos estudantes e requerem maior participação familiar.

CONHEÇA ALGUNS COLÉGIOS MILITARES

colegiomilitar1 (Foto: Divulgação)

O Colégio Militar de Salvador (CMS) tem o maior Ideb da Bahia. A nota de 7,2 nos anos finais do fundamental ainda é a sexta maior do Brasil. Como mantém altos índices desde 2005, na primeira edição do Ideb, o CMS também tem metas ambiciosas e, neste ano, ficou ligeiramente abaixo do esperado: 7,3.

Área do colégio reservada para a prática de esportes.  (Foto: Raquel Freitas/G1)

No Colégio Militar de Belo Horizonte, o melhor de Minas Gerais no Ideb 2011 no fundamental, os cerca de 700 alunos passam a manhã no ensino regular em 23 salas de aula, 23 salas de aulas e em laboratórios de física, química, matemática, biologia e informática. Á tarde, praticam atividades complementares como música e artes, além de esportes em dois campos de futebol, ginásio coberto, sete quadras de esportes, um estádio de atletismo, uma piscina e um centro hípico.

Lousa digital é usada em todas as salas do Colégio Militar (Foto: Fernando da Mata/G1 MS)

A nota de 6,9 no Ideb 2011 colocou o Colégio Militar de Campo Grande (CMCG) no topo do ensino fundamental II em Mato Grosso do Sul. Para garantir a qualidade, uma avaliação individual das notas é feita a cada dois meses. Se o jovem não foi bem em alguma matéria, é feita uma análise se foi dificuldade de compreensão ou se o conteúdo não foi bem explicado pelo professor.

Apresentação de dança e música dos alunos do CMB de Brasília em comemoração ao Dia das Mães (Foto: Maricélia P. de Oliveira/Divulgação)

A maior nota no Ideb do Distrito Federal foi do Colégio Militar de Brasília (CMB), com 6,7 pontos. Além do currículo regular, os alunos podem fazer atividades gratuitas que são oferecidas no horário oposto ao das aulas, como palestras, exposições, viagens, música e dança.

Colaboraram o G1 BA, G1 DF, G1 MG, G1 MS e G1 PR

Fonte: G1.

Assista aos vídeos abaixo:

Escolas militares têm desempenho acima da média
Rodrigo Pimentel fala sobre a disciplina nas escolas militares

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Colégios Militares de São Luís obtêm bons resultados no ENEM 2009.

Dados do Enem 2009, divulgados nesta segunda-feira (19), pelo Ministério da Educação, revelam que três escolas particulares de São Luís e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, também de São Luís, são as melhores instituições do Estado. Mas o Maranhão também é o Estado com o maior número de escolas entre as 20 piores do país.

São cinco escolas da rede estadual de ensino: Centro de Ensino Vicente Maia, São Luís (3ª pior); Centro de Ensino Profª Juvenilia Soares Sousa, Buriticupu (4ª pior); Centro de Ensino Cristino Pimenta – Anexo II, Bacuri (9ª pior); Centro de Ensino Livino de Sousa Resende – Anexo, Itaipava do Grajaú (12ª pior); e Centro de Ensino Bernardo Coelho de Almeida, São Luís (18ª pior). Entre as 20 melhores escolas do país, o Maranhão não aparece.

Dados nacionais

Em primeiro lugar, como a melhor escola do Brasil, está o Colégio Vértice, em São Paulo. O colégio particular teve média de 749,70 pontos. No Maranhão, a melhor escola do Estado é particular: Centro Educacional Montessoriano Reino Infantil, de São Luís, que teve média geral de 693,37 pontos.

Na outra ponta, como o pior colégio do país, está a Escola Estadual Indígena Dom Pedro I, no município de Santo Antônio do Iça, no Amazonas. A escola obteve média de 249,25 pontos. Já no Maranhão, a pior escola foi o Centro de Ensino Vicente Maia, 3ª pior do Brasil, com média de 320,02 pontos.

Ensino público

No Maranhão, as cinco melhores escolas públicas, segundo dados do Enem, são os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão de São Luís, Imperatriz e Zé Doca, no Ensino Médio Regular e na Educação para Jovens e Adultos. Já as cinco piores, são as que estão entre as 20 piores do Brasil, todas do ensino estadual.

Ensino particular

As cinco melhores escolas particulares do Estado estão em São Luís. São elas: Centro Educacional Montessoriano Reino Infantil, Jardim Escola Crescimento, Colégio Educator, Colégio Dom Bosco e Colégio Santa Teresa. Respectivamente, eles obtiveram, no Enem 2009, as medias 693,37, 692,29, 683,92, 663,04 e 661,39.

Entre as cinco piores particulares do Maranhão, no entanto, duas estão em São Luís, uma em Santa Luzia, uma em Pindaré-Mirim e uma em Brejo. De acordo com a média do Enem 2009, a pior do Estado é a Escola Anna Adelaide Bello, que fica em São Luís, na avaliação da Educação para Jovens e Adultos. A média da escola foi de 440,64 pontos.

A segunda pior foi o Cenec Oscar Galvão, em Pindaré-Mirim, com média 461,67; seguido da Fundação José Pereira Damasceno, em Santa Luzia do Paruá, com média 469,53; Colégio Padre Rogério Dubois, em São Luís, com média 471,29; e Colégio Diocesano Ateneu Costa Bacelar, com 474,75 pontos.

Colégios Militares

Entre os Colégios Militares do Maranhão, o 2 de Julho (CBMMA) ficou em 1º lugar com a media 545,42 e o Tiradentes (PMMA) em 2º lugar com a media 545,33.

Comparando estes Colégios com os demais a nível nacional, estadual e municipal, inclusive com os demais Colégios Militares do Brasil, constatamos que:

a. tiveram um rendimento excelente entre as escolas públicas existentes no Maranhão – 2,7%/2,8%;

b. tiveram um rendimento muito bom entre as escolas públicas existentes em São Luís – 6,2%/6,9%;

c. tiveram um rendimento bom entre as escolas públicas do Brasil e entre todas as escolas do Maranhão (públicas e privadas) – 11,8%/11,9% – 10,5%/10,5%;

d. tiveram um rendimento regular entre todas as escolas do Brasil (públicas e privadas) e entre todas as escolas existentes em São Luís (públicas e privadas) – 21,1%/21,1% – 22,1%/22,5%;

e. tiveram um rendimento ruim entre os demais Colégios Militares existentes no país – 80,4%/82,1%.

Obs.: Quanto menor o percentual, melhor a participação em relação ao total das escolas.

Veja abaixo o quadro resumo comparativo dos Colégios Militares do Maranhão com as demais escolas:

DESCRIÇÃO BRASIL BRASIL PÚB MA MA
PÚB

SLS

SLS
PÚB
Colégio
Militar
Escolas 36.607 28.902 1.091 899 222 145 56
Escolas
avaliadas
24.158 19.224 629 510 158 105 52
2 de Julho 7.728º
21,1%
3.425º
11,8%
114º
10,5%
24º
2,7%
49º
22,1%
9º
6,2%
45º
80,4%
Tirandentes 7.741º
21,1%
3.437º
11,9%
115º
10,5%
25º
2,8%
50º
22,5%
10º
6,9%
46º
82,1%

Confira a lista completa das escolas

Com informações do Imirante.