Deus dá liberdade aos Seus filho

Na liberdade que temos, damos o exemplo e não seguimos as más inclinações deste mundo

“Jesus perguntou: ‘Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos? Pedro respondeu: ‘Dos estranhos!’ Então Jesus disse: ‘Logo os filhos são livres’” (Mateus 17, 25-26).

domingo, 4 de abril de 2010

Ver Jesus com olhos pascais – Jo 20,1-9.

Fica conosco, Senhor!
Jo 20,1-9

Domingo bem cedo, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi até o túmulo e viu que a pedra que tapava a entrada tinha sido tirada. Então foi correndo até o lugar onde estavam Simão Pedro e outro discípulo, aquele que Jesus amava, e disse:

- Tiraram o Senhor Jesus do túmulo, e não sabemos onde o puseram!

Então Pedro e o outro discípulo foram até o túmulo. Os dois saíram correndo juntos, mas o outro correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro. Ele se abaixou para olhar lá dentro e viu os lençóis de linho; porém não entrou no túmulo. Mas Pedro, que chegou logo depois, entrou. Ele também viu os lençóis colocados ali e a faixa que tinham posto em volta da cabeça de Jesus. A faixa não estava junto com os lençóis, mas estava enrolada ali ao lado. Aí o outro discípulo, que havia chegado primeiro, também entrou no túmulo. Ele viu e creu. (Eles ainda não tinham entendido as Escrituras Sagradas, que dizem que era preciso que Jesus ressuscitasse.)

COMENTÁRIO 1

O evangelista João, na liberdade com que reinterpreta as tradições das comunidades, revela, com maior alcance, a dimensão universal da missão de Jesus. João ousa ultrapassar as próprias fronteiras das categorias do Primeiro

Testamento às quais ele recorre. Daí o caráter simbólico que ele, com frequência, associa às narrativas daquelas tradições, muitas delas já registradas nos Evangelhos sinóticos. "No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro" (exclusivo de João), sugere as trevas do primeiro dia da criação. Agora se trata da nova criação. Ainda estava escuro, pois os discípulos não compreendiam o trágico fim de Jesus. Enquanto os evangelistas sinóticos registram a presença de outras mulheres nesta visita de madrugada ao túmulo, João limita-se

a citar apenas Maria Madalena. Para João ela representa a comunidade de discípulos que sente a falta de Jesus.

A menção da ida de Pedro e do discípulo que Jesus mais amava ao túmulo é exclusiva do Evangelho de João, e neste episódio situa- se a mensagem central da narrativa. Para o discípulo que Jesus mais amava, a ausência do corpo não impediu que ele compreendesse que Jesus continuava presente entre eles. Pela experiência do amor vivido, ele creu. Pedro e os demais ainda não tinham compreendido o sentido da vida de Jesus. Para eles ainda continuava escuro. Seriam necessárias aparições em que Jesus "se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas designadas de antemão por Deus" (primeira leitura). Acreditar na ressurreição é crer no dom da vida eterna por graça de Deus. Este dom nos é concedido a partir da encarnação do Filho de Deus, na pessoa histórica de Jesus de Nazaré. Jesus, humano e divino, na sua vida terrena já vive a dimensão de eternidade, e nós, como ressuscitados, vivemos com ele (segunda leitura). Não é no sepulcro ou no passado que se procura Jesus. É hoje, com a sensibilidade que faz perceber a sua presença no nosso próximo e entre os pobres e excluídos.

Autor: José Raimundo Oliva

COMENTÁRIO 2

Todo evangelho de João serve para aprender a ver com os olhos novos . Não com os olhos da carne, mas com os olhos iluminados pelo sopro do Espírito divino que se manifestou na ressurreição de Jesus. Neste dia de Páscoa, a liturgia apresenta o evangelho de Jo 20,1-9, mas vamos olhar para o conjunto de Jo 20, 1-18.

Jo 20, 1-18 narra uma história em duas cenas. A primeira cena começa com Maria Madalena, que logo no primeiro dia da semana (nosso domingo), passado o repouso do sábado, vai ao sepulcro para chorar Jesus. Mas que surpresa, quando vê a pedra que fechava o túmulo rolada para o lado! Ela corre para avisar os seguidores de Jesus, Simão Pedro e aquele outro discípulo, o melhor amigo de Jesus (e cujo nome nunca é falado). Eles correm ao tumulo. Pedro chega depois do outro, mas, como é mais digno, entra primeiro e constata: de Jesus nenhum sinal, mas roubado não foi, pois a mortalha e o sudário estão cuidadosamente arranjados! Quem tira a conclusão é o discípulo amigo, que representa aqueles que compreendem Jesus porque comungam com ele pelo amor. Ele conhece Jesus não só com os olhos, mas com o coração. Ele entra no sepulcro, vê e crê! É o primeiro a crer na ressurreição de Jesus, embora vendo apenas os sinais de sua ausência.

Segunda sena: enquanto Pedro e o outro discípulo voltam para casa, Maria Madalena, que não entrara juntamente com eles, aproxima-se do túmulo, constata a ausência de Jesus e vê dois misteriosos mensageiros – duas testemunhas? – sentados no lugar onde ele ficara. Perguntaram por que chora, e ela responde que “levaram meu Senhor”e que não sabe onde o puseram”. Voltando-se, vê um outro personagem e pensa que é o guarda, que certamente não gostara de encontrar aquele crucificado no túmulo destinado para seu dono, rico proprietário. Madalena declara-se disposta a cuidar do corpo. E então o desconhecido a chama pelo nome, no idioma dela: “Mariamne”. E ela o reconhece e responde, na mesma língua:”Rabuni”(Mestre”).

Então, o evangelista conta um detalhe que é central para entender o sentido da cena. Maria se joga aos pés de Jesus e quer abraçá-los, à maneira oriental, em veneração. Jesus a impede: “Não me segures, pois ainda não subi para junto do Pai”. Ela deve deixar Jesus livre, pois está subindo para a glória do Pai. Não deve segurar Jesus como se aí estivesse simplesmente aquele que ela seguiu desde os dias da Galiléia. “É bom que eu me vá”, disse Jesus. A ausência física de Jesus é necessária para que ele esteja conosco de modo glorioso, sem as restrições da existência na carne. É isso que o discípulo-amigo havia compreendido ao ver o tumulo vazio: ele creu. Madalena também crê, e recebe a missão de ser a primeira a anunciar a ressurreição aos irmãos.

Não nos apeguemos exclusivamente ao Jesus das estradas da Galiléia, o Jesus dos milagres e das parábolas. Deixemos que ele se torne ausente, passando pela cruz, assumida por amor fiel aos seus, para se tornar presente, de outro modo, na glória da ressurreição, que significa que sua crucifixão foi “endossada” por Deus como expressão de seu amor. O Jesus da páscoa é incomparavelmente mais presente para nós que o das estradas da Galiléia. Este deixou suas pegadas nas narrativas dos apóstolos e evangelistas. Mas o Ressuscitado, que só pode ser visto com os olhos da fé, está conosco nas estradas da vida, hoje.

Padre Pacheco, Comunidade Canção Nova.

Fonte: Paulinas e Canção Nova.

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